A DOUTRINA DA
PESSOA DE CRISTO: CRISTOLOGIA
Deus tinha que preparar o mundo
para a vinda do seu filho. A respeito da vinda de Jesus, disse um dos profetas:
“Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”. Notemos, portanto
em primeiro lugar, a preparação para a vinda de Jesus ao mundo.
1. PREPARACÃO HISTORICA PARA A VINDA DE JESUS
Desde os primeiros dias, Deus
determinou salvar a humanidade, isto é,
criá-la á sua imagem. A história do mundo, desde a queda da raça até a vinda de
Jesus, revela este grande propósito de Deus. Sem tomar em consideração este
fato, ninguém pode compreender realmente a história do universo. Antes da vinda de Jesus, todas as correntes
da história convergiram para este grande evento da mais alta significação para
a história humana. E depois da vinda de
Jesus, todas as correntes da história partem deste grande acontecimento, que é
o nascimento do Messias. Este fato é conhecido hoje em quase todo o mundo; mesmo quando se trata do mundo inteiro,
distingue-se facilmente este fato monumental na história da raça. A vinda de
Jesus é a chave, é a explicação, assim dos séculos antecedentes como dos subsequentes. Esta preparação do
mundo feita por Deus para a vinda de Jesus é uma preparação positiva.
1.1. PREPACÃO NEGATIVA NA HISTORA PAGÃ.
É fato inegável que a mão poderosa de Deus tem guiado os destinos das
nações pagãs desde o princípio do mundo. “ E de um sangue fez toda a geração
dos homens para habitar sobre a face da terra, determinando os tempos já dantes
ordenados e os limites da sua habitação” (At. 17.26). Desde o início da
história humana, Deus começou a guiar todas as coisas de acordo com a sua
vontade. Esta preparação revela-se
também na política e nas religiões dos povos pagãos. Até certos homens do
paganismo, tais como Ciro, foram escolhidos por Deus para adiantar o seu plano
a respeito da vinda de seu Filho ao mundo. “Assim diz Ciro rei da Pérsia: O
Senhor Deus dos céus me deu a todos os reinos da terra; e Ele me encarregou de
lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem há, entre vós de
todo os seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que está em Judá,
e edifique a casa do Senhor, Deus de
Israel; Ele é Deus que habita em Jerusalém” (Ed 1.2,3).
Uma das particularidades mais interessantes a respeito destes povos
pagãos é que a religião entre eles se ia esgotando cada vês mais, de sorte que,
quando Jesus veio, já tinham as religiões perdido quase completamente a confiança de seus adeptos. Disse um deles que, apesar de mergulhado nas
águas de sua religião até os joelhos,
não podia saciar a sede de sua alma.
As religiões da gentilidade já não satisfaziam às necessidades
espirituais do povo, que, por isso mesmo, estava à espera de alguém que viesse
de cima e o salvasse. Um estudo ligeiro destas religiões revela, pelo menos,
quão grande era a esperança que tinham de um salvador do céu. E este era o Filho de Deus. As
religiões pagãs não tinham mais nada par dar a seus adeptos. estavam esgotadas,
de sorte que, quando Jesus apareceu, todos estavam em condições de
aceitá-lo. Precisamos conservar bem vivo
na memória o fato de que Deus estava preparando o mundo para a vinda de seu
Filho, através de toda a história antiga, até mesmo entre os pagãos.
Além do que já mencionamos, aparecem-nos mais dois fato nesta preparação
para a vinda de Jesus: primeiro: a verdadeira natureza do pecado foi uma das
primeira verdades revelada por Deus a seu povo. Parece que Deus deixou os
homens pecarem até o limite para que eles reconhecessem a depravação moral que
podia chegar o homem corrompido. Os
homens viram o destino terrível que os aguardava, caso continuassem no
pecado. Lendo Romanos 1.8-32, podemos
compreender o plano de Deus em tudo isso. “Pelo que Deus os entregou às
concupiscências de seus corações, à imundícia para desonrarem seus corpos entre
si; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais à
criatura do que o Criador, que é bendito eternamente, Amém. Pelo que Deus
entregou às paixões infames. Porque até as suas mulheres abandonaram o uso
natural, no contrário à natureza”. Assim
escreveu Paulo nos versículos 24-25 do capítulo citado.
Segundo: Deus fez a raça compreender que pela filosofia e pela arte, não
poderiam salvar-se. Muitos dos filósofos hodiernos não tem feito nova criação
nem novas descobertas; não passam, aliás, de copiadores da filosofia dos
antigos. Antes da vinda de Jesus, Deus ensinou à raça que era impossível obter
a salvação por meio da arte e da filosofia. Não obstante, quantos há hoje que intentam fazer destas coisas
meios de salvação.
A preparação negativa realizou-se
entre a gentilidade. Sem que o soubessem, Deus guiava os pagãos com
poderosa mão para o grande evento histórico da vinda de seu Filho amado, e, ao
mesmo tempo preparava o coração dos homens para aceitá-lo como salvador.
1.2 PREPARACÃO POSITIVA
Esta é a que se realizou entre o povo de Israel.
1.2.1 Desde os dias de Abraão Deus escolheu um povo e ensinou-lhe três
grande verdade, pelas quais procurou prepará-lo para a vinda de Jesus. Estas
três verdades são as seguintes:
a) A majestade, a unidade, a onipotência e a santidade de Deus.
b) A perversidade do homem e a sua impotência moral para tomar
qualquer iniciativa no tocante a
própria salvação.
c) Uma certeza de salvação.
1.2.2. Ensinando estas três
grandes verdades ao seu povo, usou Deus de três grandes meios, três grandes
agências, que a seguir mencionamos:
a) A Lei. O Decálogo ou os dez mandamentos dados por Deus a Moisés constituem um
dos meios usados por Deus a fim de ensinar ao povo aquelas grandes e precisos
verdades já mencionadas, despertando-lhes, assim, a consciência em relação ao
pecado. E a mesma lei, por meio de seus sacrifícios e de seu sacerdócio, deu ao
povo a esperança de paz com Deus mediante o perdão, e de um livre acesso à sua
presença.
b) A Profecia. A segunda grande agência de Deus usada em ensinar aquelas verdades foi a
profecia, quer verbal quer escrita. Encontramos até profecias típicas, como as
de Adão, Melquisedeque, Moisés, Davi, Jonas, etc. Desde o princípio Deus
começou a falar da vinda de seu Filho. Em Gênesis 3.15 encontramos estas
palavras proféticas: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua
semente e a sua semente: esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o
calcanhar”.
c) O Cativeiro. A terceira e não menos importante agência de que Deus fez uso para
ensinar o povo e prepará-lo para a vinda de Jesus foi o exílio e cativeiro na
Babilônia. Enquanto a nação progredia e existia, Deus não podia devidamente
prepará-la para o grande acontecimento que se aproximava. Por isso ele acabou
temporariamente com a nação, e fê-la
exilada e cativa. E isto trouxe dois grandes e apreciáveis resultados na vida dos israelitas, a saber:
O primeiro foi o estabelecimento firme, de uma vez para sempre, do
monoteísmo. Muitas vezes, na sua
história, Israel caíra em idolatria. Mas o exílio fez com que o monoteísmo se
arraigasse profundamente no coração
deste povo.
O segundo resultado foi o de converter
os judeus de um povo agrícola
numa nação mercantil e comercial. Desta
maneira ia Deus preparando os seus
mensageiros, aqueles que levariam o seu evangelho a toda parte. O simples fato de os israelitas se tornarem um povo
comercial já foi um grande passo na preparação para a vinda de Jesus.
Vemos, assim, que Deus trabalhava não só entre os israelitas, mas também entre as demais nações,
servindo-se delas para a realização deste grande evento - a vinda de Jesus ao
mundo. Convém notar, todavia, que esta preparação foi toda especial no que
respeita aos judeus: Ele trabalhou abertamente, fez conhecidos os seus planos
aos homens por intermédio deles até que chegou a plenitude dos tempos e o
Messias apareceu. É nosso intuito estudar, em seguida, a personalidade de
Jesus.
2. A PESSOA DE JESUS
A redenção da raça havia de realizar-se por um Mediador que em si mesmo
reunisse as duas naturezas: a divina e a humana. Isto porque o seu trabalho
seria o de reconciliar o homem com Deus e Deus com o homem.
E, para que o Mediador estivesse entre ambos, era necessário que ele não somente conhecesse perfeitamente o homem, mas também
a Deus. Este Mediador ideal temos em Cristo Jesus, porque ele possuía as duas
naturezas: Ele era Deus-Homem. Desejamos agora estudar esta personalidade
extraordinária deste dois pontos de vista.
Estudemo-lo em primeiro lugar, do ponto de vista da história, e, depois,
do ponto de vista da Bíblia.
Vale pena conhecer as opiniões que surgiram no transcorrer dos
séculos a respeito da pessoa de Jesus. Ele tem sido objeto dos mais profundos e
prolongados estudos. E um exame, ainda que ligeiro, das idéias que encontramos na história a seu
respeito há de nos ajudar grandemente
quando chegarmos a estudar a sua Pessoa na Bíblia. Estudando a Pessoas
de Jesus do ponto de vista da história, é nosso desejo conhecer o que os homens
tem pensado a seu respeito no decorrer dos anos e mui especialmente durante os
primeiros primeiros séculos dos cristianismo. Iniciemos, pois, este estudo examinando primeiramente a idéia ou teoria dos ebionitas.
2.1. Os ebionitas:
Apareceram no ano 107 depois de Cristo, e negavam a realidade da
natureza divina de Cristo. Segundo os seus ensinos, Cristo era somente homem.
Porém este homem Jesus Cristo tinha uma relação muito íntima com Deus,
especialmente depois do seu batismo. O
ebionismo era o judaísmo dentro das Igrejas
cristãs. Como sabemos, era difícil aos judeus crer na doutrina da
Trindade. E esta era uma das razões mais
fortes por que não creram que Jesus era Deus, e daí negarem sua divindade. Consideravam Jesus simplesmente como um homem
extraordinário, que se relacionava muito intimamente com Deus, e nada mais.
Jesus era, enfim, um grande profeta, mas não era Deus.
2.2. Os Docetas
Esta palavra vem do grego “doketes”, de “dokein”, que significa:
“parecer”, “crer numa aparência” etc. Os docetas apareceram no ano 70 da era
cristã, e existiram, aproximadamente, até o ano 170. Eles negavam a humanidade
de Cristo. Segundo a filosolia dos docetas, s coisas materiais eram, por natureza, más. O mal residia na
matéria, e visto que Jesus não tinha pecado, logo, não tinha também corpo
material. Para os docetas toda a matéria era corrupta. Era a sede do pecado e
do mal. Jesus não podia ter corpo material, porque er inteiramente puro.
Julgavam, por isso, que o corpo de Jesus era aparente, e não real. Os docetas
negavam, portanto, a humanidade de Jesus. Esta doutrina não era mais que a
filosofia grega e pagã, que se introduzira na Igreja de Cristo.
2.3.0 O Arianismo
O Arianismo surgiu no ano 325. Ário, o seu fundador, negava a
integridade e a perfeição da natureza divina de Cristo. O Verbo, que se fez
carne, segundo o Evangelho de João, não era Deus, senão um dos seres mais altos
do Criador. O Verbo não era, afinal, mais que uma criatura de Deus. Esta teoria
confunde o estado original de Jesus Cristo com o estado de humilhação. Ao invés
de estudar toda a questão, Ário estudou
apenas a parte que se refere a personalidade de Jesus enquanto estava
aqui na terra, e, naturalmente, a sua idéia era imperfeita e parcial, por isso
que confundia o estado de humilhação com o estado original. Ário negava a
integridade, a perfeição da natureza divina de Cristo.
2.4 A teoria de Apolinário
Esta teoria apareceu no ano 381 da era cristã, negando a integridade da
natureza humana de Cristo. Segundo os ensinos de Apolinário, Cristo não tinha
mente humana. O que ele tinha de humano era o corpo e o espírito. O Verbo que
se fez carne tomou o lugar da mente, e por isso Cristo não era homem perfeito.
Cristo era, segundo essa teoria, constituído de corpo, de verbo e de espírito.
E, como acabamos de ver desta teoria, este era o argumento em que se afirmava o
seu fundador para negar a integridade da natureza humana de Cristo.
2.5. A teoria de Nestório
Esta teoria apareceu no ano 431. Nestório, seu fundador, negava a união
verdadeira entre as duas naturezas de
Cristo. Ele atribuía a Cristo duas partes ou divisões, uma humana, outra
divina. Quando Jesus estava dormindo, por exemplo, era a parte humana que
dormia. Mas quando acordava e repreendia os ventos, era a parte divina que
estava em ação. Assim explicava Nestório a Pessoa de Jesus. Esta idéia, logo se
vê, é muito errônea. Jesus não se divide em duas partes. Ele não opera
parceladamente. Não é que Ele agisse ora por meio da natureza humana, ora por
meio da natureza divina. Quando agia, fazia-o com toda a sua personalidade , e
não só com a natureza divina, ou com a humana.
2.6. A teoria de Eutiques
Segundo esta teoria, as duas naturezas de Cristo fundiram-se de maneira
que formavam uma terceira natureza, que nem era divina nem humana. Assim sendo,
Jesus não era humano e nem tampouco divino.
Temos, assim todas estas teorias errôneas que ebionitas negavam a realidade da natureza
divina de Cristo, ao passo que os docetas negavam a realidade de sua natureza
humana. Ário negava a integridade da sua natureza divina. Aplonário, a da sua
natureza humana. Nestório negava a união verdadeira entre as duas nature3zas,
dividindo Jesus em duas partes: uma divina e outra humana; enquanto Eutiques
fundia as duas naturezas de Cristo, formando uma terceira natureza, que não era
humana nem divina.
Entre tantas teorias, qual a verdadeira ? Destas, nenhuma..
2.7. O ensino da Bíblia
segundo os ensinos da Bíblia, há uma só personalidade em Cristo, mas
duas naturezas: a humana e a divina,
cada qual perfeita.
Mas estas duas naturezas era tal modo unidas e relacionadas que formavam
uma única personalidade. O novo testamento revela, com toda clareza, porém,
quanto à personalidade, havia uma unidade. É nosso intuito agora, investigar as
Escrituras para ver o que nelas se encontra:
1) Sobre a realidade e a integridade das duas naturezas de Cristo;
2) Sobre a união destas duas naturezas numa só personalidade.
3. AS DUAS NATUREZAS DE CRISTO
Neste estudo queremos provar
pelas Escrituras, que Jesus não só tinha duas naturezas, divina e humana, mas
também que cada uma destas era real e perfeita. A Bíblia fornece-nos provas
abundantes a este respeito:
3.1 A Humanidade de Cristo
A realidade da humanidade de Cristo. Trataremos, em primeiro lugar, da
realidade da humanidade de Cristo, sobre o que as Escrituras nos apresentam:
a) Jesus chamou-se e foi chamado homem. (Jo 8.40) “Porém agora procurais
matar-me, a mim, um homem, que vos tenho falado a verdade que de Deus
tenho ouvido; Abraão não fez isto”. Estas palavras proferiu-as o próprio Jesus.
“Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus nazareno, varão aprovado
por Deus entre vós com maravilhas e sinais que Deus por ele fez no meio de vós,
como vós mesmos bem sabeis” (At 2.22) ? (Rm 5.15; 2 Tm 2.5).
b) Jesus possui os elementos essenciais da natureza humana, isto é, um
corpo natural e uma alma racional: (Mt 26.38; Jo 11.33; Lc 24.39; Hb 2.14).
c) Jesus tinha poderes que pertenciam
à natureza humana. Ele sentia fome:
(Mt 4.2), sentiu cansaço: (Mt 8.24: Jo 4.6).
Jesus tinha uma mente humana. Ele pensava e conhecia: (Jo 19.28). Jesus
sentia amor: (Mc 10.21). Jesus sentia indignação: (Mc 3.5).
Poderiam multiplicar-se as citações a respeito, pois são elas abundantes
e provam sobejamente que Jesus tinha todos os elementos que constituem a
natureza humana.
d) Jesus estava sujeito às leis de desenvolvimento: (Lc 2.40,46; Hb
2.18; 5.8).
e) Jesus padeceu e morreu: (Lc 22.44: Jo 19.30,33).
Acabamos de ver, destas passagens que as Escrituras provam a
realidade da humanidade de
Cristo. Passemos, pois, agora a considerar as passagens que tratam do segundo
ponto.
3.2 A Integridade da Natureza
humana de Cristo. Integridade significa perfeição, inteireza:
a) A natureza humana de Cristo foi sobrenaturalmente concebida: (Lc
1.34,35).
b) A natureza humana de Cristo sempre se revela livre de depravação:
“Quem dentre vós me convence de pecado”? (Jo 8.46; Hb 4.5; 7.26; 2Co 5.21; 1 Pe
1.19).
c) A natureza de Cristo, digo: a natureza humana de Cristo cresceu
juntamente com a sua natureza divina. E por causa disso não há um paralelo
entre ele e nós, neste sentido. Jesus é o único neste mundo. Ele é o Filho
unigênito e nenhum outro há igual a Ele.
Jesus não é homem como Paulo, não é Deus como o Pai, mas é Deus-homem.
Nunca o hífem (-) teve tanta significação como aqui, entre estas duas palavras.
Ele liga-as e divide-as ao mesmo tempo.
3.3 A Deidade de Cristo
O Novo Testamento estabelece mui claramente a deidade de Jesus Cristo
pelo seguinte modo:
3.3.1 Mostrando que Jesus tinha conhecimento da sua própria deidade: (Jo
3.12.13; Jo 8.58; Jo 14.9,10).
3.3.2 Mostrando que Jesus exercia poderes e prerrogativas divinas: (Jo
2.24,25; 18.4; Mc 2.7; 4.39).
3.3.3 A união destas duas
naturezas numa só pessoa:
As Escrituras representam Jesus Cristo como uma só Pessoa, em que se
unem as duas naturezas, divina e humana, e cada uma delas perfeita quanto à
essência e quanto aos seus atributos. Estas duas naturezas, inseparavelmente
unidas numa só personalidade divino-humana, constituem para nós um mistério. É
nos impossível explicar a união das duas naturezas numa só pessoa, mas as
provas que encontramos são tantas que
não podemos duvidar desta verdade. E o
erro de dividir a pessoa de Jesus em duas, ou em duas partes é tão patente que
devemos ter todo cuidado a fim de o não praticarmos. E ainda que não possamos
explicar satisfatoriamente este fato, devemos aceitá-lo, visto que a Bíblia o
ensina com clareza e autoridade.
3.3.3.1 Provas da união das duas
naturezas, divina e humana, na pessoa
de Cristo Jesus:
a) Jesus sempre falava de si mesmo e os outros também falavam a respeito
dele como de uma só pessoa: (Jo 17.22; 1 Jo 4.2).
b) Os atributo e os poderes de ambas as naturezas são consignadas a uma
só pessoa: (Rm 1.13; 1Pe 3.18; Hb 1.2,3; Ef 4.10; Mt 28.19,20).
c) As Escrituras reputam o valor da concordância feita por Jesus como dependente de uma união destas
duas naturezas: ( 1Jo 2.2; Ef 2.6-18; 2.21,22; 2 Pe 1.4).
3.3.3.2 A natureza da união das
duas naturezs:
a) Devemos declarar, em primeiro lugar, a grande importância da união
das duas naturezas, divina e humana, em Cristo Jesus. O cristianismo é uma
união, Deus, na Pessoa de Jesus Cristo, uniu-se à humanidade.
Assim como Cristo tornou-se o coração do cristianismo; e na sua própria
pessoa foram resolvidos todos os problemas
religiosos.
Jesus provou a verdade do cristianismo pela sua própria experiência.
Este resolveu os problemas fundamentais da religião. Em outras palavras, Ele
viveu como todo homem deve viver, uma vida em perfeita harmonia e comunhão com
Deus. E tudo isso se conseguiu por meio da união das duas naturezas. É,
portanto, de suma importância para o cristianismo esta união verdadeira das
duas naturezas divina e humana em Jesus Cristo.
E Jesus não somente resolveu os problemas da religião, mas também se
tornou o meio por que o homem pode alcançar a solução verdadeira dos seus
problemas religiosos.
Sobre a importância desta união passemos a considerar as seguintes
passagens: (Mt 11.27; Col 1.27; Col 2.2,3; Jo 17.3).
b) Os problemas principais que se nos deparam nesta união:
Um dos problemas aqui é: Como pode haver duas naturezas numa só pessoa?
Como pode haver uma natureza humana sem personalidade? E como pode haver uma
natureza divina sem personalidade? Como já de sobejo dissemos, não é possível
dar uma explicação satisfatória deste problema, mas a Bíblia ensina, com toda a
clareza, que Jesus tinha duas naturezas, e era uma só Pessoa. Este fato
representa-nos, por assim dizer, o coração da encarnação é a solução deste
problema.
Outro problema que se nos depara diz respeito à relação da natureza
divina com a humanidade, durante a vida terrestre de Jesus, problema este que
nos leva a outro ainda, qual a relação da natureza humana com a divina, na vida
atual de Jesus. Sabemos que Jesus esta hoje à destra de Deus. Qual é, pois, a
relação que há entre uma e outra natureza hoje? Mencionamos estes problemas aqui, não com a esperança de
resolvê-los, mas tão-somente no intuito de mostrar que o nosso Salvador Jesus é
tão maravilhoso que o homem o não pode compreender em toda sua plenitude.
Temos em Jesus um grande mistério.
c) A razão deste mistério. Tal
mistério existe porque não há outro ser igual ou semelhante a Jesus. Ele é o único. Nenhum ser existe,
além dele, que com Ele se compare. Jesus não pode ser comparado com o Pai,
porque o Pai nunca se uniu diretamente à humanidade, como ele; como também não pode
comparar-se com o homem, porque o homem nunca se uniu a Deus. Jesus é,
certamente, o filho unigênito de Deus.
d) A base da união. A possibilidade da união de Deus com humanidade se
acha em Deus ter criado o homem à sua imagem. O homem foi criado semelhante a
Deus. Existe, por isso, a possibilidade de Deus encarnar-se. isto é, de assumir
também a humanidade, Este é uma das glórias da criação do homem.
Deus criou o homem de tal maneira, que pode haver a mais íntima comunhão
entre o homem e o criador.
e) Um dos problemas mais
difíceis, com já vimos, é a união das duas naturezas numa só pessoa. Jesus
não era duas pessoas, nem tampouco tinha uma personalidade dupla. Ele era uma
Pessoa, mas dotada de duas naturezas: Uma divina, e outra humana. Como sabemos,
o Verbo uniu-se com a humanidade pela encarnação. A natureza humana não podia
ter personalidade naquela época. A personalidade humana só começou a existir
quando a natureza humana começou a ser uma pessoa. E esta natureza humana
crescia junto com a natureza divina. Nunca houve portanto, duas personalidades
em Cristo Jesus. Neste ponto não há outra pessoa semelhante a Ele.
f) O efeito da natureza divina
sobre a humana. A união da natureza divina com a humana fez com que esta
participasse dos poderes e da glória daquela. Isto é, quando Jesus estava aqui
na terra, tinha poderes que não pertenciam aos homens em geral. Convém notar,
porém, que ele nem sempre usou deste poderes. A primeira tentação foi neste
sentido, isto é, o tentador quis induzir Jesus a prevalecer-se desses poderes
sobre-humanos para o seu próprio proveito. Naquela ocasião Jesus recusou-se a
fazer tal coisa, mas, quando tinha diante de si a multidão faminta, usou os
seus poderes, multiplicando os pães e os peixes para alimentá-la. A natureza humana foi grandemente exaltada e
glorificada na união com a natureza divina;
e este mesmo fato nos ajuda a compreender alguma coisa da glória
possível à humanidade. Não devemos nos esquecer de que a natureza humana podia
unir-se à divina.
g) O efeito da natureza humana
sobre a divina:
Quando a natureza divina se uniu à humana, tornou-se, então, possível a
Jesus Cristo padecer, sofrer e até morrer. A carta aos Hebreus acentua
fortemente o valor do sofrimento de Jesus neste sentido.
h) A necessidade da encarnação. Sem
a união da natureza divina com a humana não poderia haver verdadeira mediação
entre Deus e o homem. A encarnação era
necessária para que se estabelecesse a reconciliação entre o homem e Deus: (Hb
4.15; 1 Tm 2.5).
i) A eternidade da união. Encontramos
na Bíblia ensinos de que a união da natureza humana com a divina é eterna e
indissolúvel. Quando o Verbo uniu-se à carne uniu-se de uma vez para sempre:
(Hb 7.24-28).
4. OS DOIS ESTADOS DE JESUS
4.1 O estado de humilhação:
Não vamos despender muito tempo com as várias teorias a
respeito da humilhação de Jesus Cristo quando o Verbo se fez carne, porque
nenhuma delas explica suficientemente este fato. Ainda mais, já vimos que esta
união da natureza divina com a humana continua porque ela é indissolúvel e
eterna.
A Passagem mais importante,
talvez, sobre este assunto é a seguinte: (Fp 2.6-8).
4.1.1 A humilhação de Cristo
caracterizada:
a) O Verbo preexistente fez-se
homem, deixando a sua glória divina para tomar o lugar de servo. As
palavras de Jesus em João 17.5 mostram claramente que Jesus deixou a glória
divina quando se fez homem. “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo,
com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse”. O Apóstolo
Paulo ensina a mesma coisa em 2 Co 8.9. “Porque já sabeis a graça de nosso
Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós, se fez pobre; para que
pela sua pobreza enriquecêsseis”.
b) Constitui também na submissão
do Verbo ao Espírito Santo: As seguintes
passagens provam claramente esta verdade: (Atos 1.2; 10.38; Hb 9.14).
Devemos lembrar-nos também da experiência que a mãe de Jesus teve com o
Espírito: (Lc 1.35). A tentação de Jesus prova também a submissão sua ao
Espírito Santo: “Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser
tentado pelo diabo” (Mt 4.1).
c) A humilhação de Jesus constitui também em Jesus deixar de usar dos
poderes que lhe eram garantidos por sua natureza divina. Citemos duas passagens
de muito valor neste sentido, que se referem, respectivamente, à tentação e à
crucificação de Jesus: (Lc 4.3,4; Mt 26.53; Lc 10.17,18).
4.1.2. Épocas de humilhação de
Jesus:
a) A primeira época da humilhação de Jesus foi quando o Verbo preexistente se fez carne.
b) A segunda foi durante o tempo da sua submissão ao Espírito Santo e às
leis humanas.
c) A terceira foi por ocasião da sua morte no Calvário. Resumindo,
diremos que as épocas da humilhação de Jesus foram: quando se fez carne,
durante a vida na carne, e quando morreu na cruz.
4.2. O Estado de exaltação:
Épocas de sua exaltação. Depois da morte, Jesus voltou para a destra do Pai, recebeu
novamente aquela glória que tinha antes que o mundo existisse, e entrou em
pleno uso daqueles poderes que tivera antes do período da sua humilhação: (Atos
7.55).
As épocas da exaltação de Jesus
são as seguintes: Primeiro, a sua ressurreição; segundo, a sua ascensão.
5. OS OFICIOS DE CRISTO
Enquanto aqui na terra, Jesus exerceu três grandes ofícios: O de
profeta, o de sacerdote e o de rei. Estes personagens eram os três mais
importantes da história. Os profetas, Os sacerdotes e os reis são, em certo
sentido, os precursores de Jesus Cristo.
Jesus exerceu estes três ofícios da maneira mais perfeita que se pode
imaginar. Nunca houve um rei que governasse tão sabiamente como Ele, e nunca
houve um sacerdote que oferecesse um sacrifício tão perfeito e completo, e
nunca houve profeta que interpretasse tão fielmente os atos e a vontade de Deus
e desfizesse as trevas da ignorância que envolvia a raça.
Quando Jesus veio ao mundo, este se achava imerso nas trevas da
ignorância, quase inteiramente alheio que tirasse o povo de tão triste
condição. Jesus era este profeta. “E ao povo que estava assentado em trevas viu
uma grande luz”.
Também a raça humana estava corrompida. O pecado invadira e escravizara
todos os corações. A grande necessidade do mundo era então de um grande
sacerdote que purificasse de modo completo as almas, e de um rei poderoso que
lhes quebrasse os grilhões e as libertasse da escravidão.
Como profeta, Jesus revelou da maneira mais completa a vontade de Deus
ao mundo; como sacerdote, fez o sacrifício perfeito para expiação do pecado e,
como Rei, estabeleceu o seu reino e começou a reinar no coração dos homens.
A personalidade de Cristo é a maravilha dos séculos. Os milagres
operados por Ele, para aliviar os
sofrimentos da humanidade representam apenas uma fraca manifestação de sua
Pessoa. Como já tivemos ocasião de observar, Ele é o Filho Unigênito de Deus,
que se fez carne e ocupou os três cargos mais importantes que encontramos na
história do mundo: O de Profeta, o de sacerdote e o de rei.
5.1. Cristo como Profeta.
5.1.1. A natureza do trabalho
profético de Cristo: Devemos ter
desde já uma compreensão clara de que a missão do profeta não é simplesmente,
como já se supõe, predizer eventos futuros. É verdade que isso às vezes
acontece, porém não é o trabalho principal do profeta. O profeta representava Deus diante dos homens. E o seu verdadeiro
trabalho era interpretar os atos e os planos de Deus e fazer conhecida aos
homens a sua vontade. O verdadeiro profeta é o que lê atentamente e interpreta
os atos de Deus aos homens.
Outro ofício do profeta era encaminhar o povo nos caminhos traçados por
Deus. Certamente ele havia de ser um homem que andasse em íntima comunhão com
Deus e devia saber mais da sua vontade do que o povo em geral. E o seu grande
trabalho era fazer os homens conhecerem o que Deus estava procurando
realizar nas suas vidas.
Três eram os métodos empregados pelo profeta, no desempenho de sua
função. O primeiro era o de ensinar o povo. Encontramos no Velho Testamento
muitos desses ensinos, como, por exemplo, os ensinos a respeito do sacrifício
dos animais.
Por meio destes ensinos os profetas procuravam fazer o verdadeiro fim do
sacrifício: “ Não me tragais sacrifícios debalde: o incenso é para mim
abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das congregações; não
posso suportar iniquidade, nem mesmo o ajuntamento solene. As vossas luas novas, e as vossas
solenidades as aborrece quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus
olhos; e até quando multiplicais a oração não ouço, porque as vossas mãos estão
cheias de sangue. Lavai-vos e purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de
diante dos meus olhos: cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; procurai
o juízo; ajudai o opresso; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viuvas”
(Saias 1.13-17).
O segundo método do profeta no exercício de seu cargo era o de predizer
os acontecimentos futuros. As vezes o profeta desvendava as coisas do futuro e
fazia vingar a sua mensagem. Um dos exemplos disto é o encontro de acabe com
Elias (1 Rs 18).
O terceiro método consistia na operação de milhares. Alguns dos
profetas, ao executar a sua árdua missão, operavam milagres, o que concorria
para que as suas mensagens fossem mais bem acatadas pelo povo em geral: (Ex
4.2-5).
Como sabemos, Jesus usou magistralmente destes três métodos no seu
trabalho. Ele ensinava como ninguém podia ensinar, revelava o futuro com ampla
autoridade e operava sinais e maravilhas.
5.1.2. Os diferentes períodos do
trabalho profético de Jesus.
Estudando o trabalho profético de Jesus, encontramos quatro períodos
diferentes:
a) O trabalho preparatório do Verbo antes de se encarnar: (Jo 1.9).
b) O período do ministério terrestre. Durante este período, Jesus não só
cumpriu todas as exigências do ofício profético, mas o fez de tal maneira que
até pôs termos a este ofício. Queremos dizer que Deus, por meio de Jesus, disse
tudo quanto tinha de dizer aos homens. Jesus revelou tudo. O que os profetas do
Velho testamento não puderam oferecer ou esclarecer, Jesus trouxe a luz, e,
revelando todos os segredos de Deus, pôs termo ao ofício profético.
Mas Jesus não era profeta por excelência só neste sentido. Os profetas
do Antigo Testamento pregavam: “Assim diz o Senhor”, Ele porém, dizia: “Assim
eu vos digo”. Jesus era, por conseguinte, muito superior aos profetas não só na
mensagem revelada, mas também na maneira de a revelar.
c) O terceiro período do trabalho profético de Jesus é o que vai desde a
sua ascensão até a consumação dos séculos. Durante este tempo Jesus serve-se de
seus discípulos para a realização da sua obra.
Os discípulos são prolongamento do trabalho profético de Cristo. “Fiz o
primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de todas as coisas que Jesus começou não só
a fazer, mas ensinar” (Atos 1:1). “Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, mas
vós não podeis suportar agora” (João 16:12).
d) No quarto período, Jesus continua revelando as coisas do Pai aos
santos na glória. “Disse-vos estas coisas por parábolas: chega, porém, a hora
que vos não falarei acerca do Pai” (João 17.25). “E eu lhes fiz conhecer o teu
nome e lho farei conhecer mais, para que
o amor com que me tens amado neles esteja, e eu neles” (João 17.26). “Porque
desde a antigüidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem olho viu,
fora de ti, ó Deus, o que há de fazer aquele que o espera” (Saías 64.4).
“Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face: agora
conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido” (I Coríntios
13:12)
5.2. Cristo como Sacerdote
O profeta representa Deus aos homens, o sacerdote representava os homens
diante de Deus. Que felicidade, termos em Jesus a união da natureza divina com
a humana! Devido à sua relação íntima
com Deus, Jesus era profeta ideal, e. devido ã sua relação íntima com o homem
veremos que ele era também o sacerdote
ideal.
No Velho Testamento o sacerdote era um homem escolhido para ser o
mediador entre Deus e o homem. O
sacerdote cumpria o seu ofício oferecendo sacrifícios e fazendo intercessão;
mas, como sabemos, os próprios sacerdotes
eram homens imperfeitos, e, antes de oferecerem sacrifícios pêlos
outros, tinham que oferecer primeiramente sacrifício por si mesmos.
Ainda mais, as vítimas por eles sacrificadas eram animais irracionais,
que nada tinham a ver com os pecados cometidos pêlos homens. Vemos que não era
assim com Jesus. Ele não era sacerdote que necessitasse de oferecer sacrifícios
pêlos próprios pecados, porquanto Ele não tinha. Nem tão pouco lançou mão de
irracionais, porém ofereceu-se a si
mesmo, com toda a pureza de seu caráter e toda a santidade do seu ser, em
holocausto, em propiciação pêlos pecados do mundo. A imaginação humana, por mais fértil e aguda, não pode acrescentar um só requisito necessário aqueles que Jesus
satisfez sacerdote.
Jesus é o sacerdote ideal, o sacerdote dos sacerdotes. A carta aos
Hebreus desenvolve magistralmente este formoso tema: o sacerdócio de Cristo.
“Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto,
pode também salvar perfeitamente, aos que por Ele se chegam a Deus, vivendo
sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo,
inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os
céus; que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia
sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados e depois pêlos do povo;
porque isto fez Ele uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Porque a lei constitui
sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois
da lei, constitui ao Filho, que foi para sempre aperfeiçoado” (Hebreus
7:24-28).
5.2.1. O trabalho Sacrificial de
Jesus Cristo ou a Doutrina da Concor-
dância.
Estamos agora no âmago da Teologia Sistemática. A obra propiciatória de
Jesus no seu ofício sacerdotal é o tópico de maior importância Teologia
Sistemática. As Escrituras ensinam que Jesus sofreu e morreu em nosso lugar
para que pudéssemos ser salvos. Deus disse, logo no princípio, que “a alma que
pecar, essa morrerá”. Esta é uma lei que não pode ser de forma alguma revogada.
O homem pecou; portanto, tinha que morrer. Mas, felizmente, pela graça de Deus,
apareceu um homem, Jesus Cristo, que tinha grande amor aos homens. Este veio, e
tomou o nosso lugar, morreu por nós, ressuscitou, subiu ao céu e está à destra
do Pai, e assim lançou as bases de salvação de todo aquele em que nele crê.
Este trabalho realizado por Jesus Cristo em prol dos pecadores é representado
por diversas formas nas Escrituras. Notemos algumas delas:
a) A Idéia Moral - Deste
ponto de vista, as bases da salvação são consideradas como uma grande
providência originada no amor de Deus e na manifestação deste amor aos homens.
Segundo esta idéia, a morte de Jesus Cristo na cruz do Calvário é uma grande
manifestação do amor de Deus aos homens; e tem referência especial ao amor de
Deus, e não à sua Justiça. A crucificação é um grande espetáculo, que não só
revela o grande amor de Deus ao homem, mas também tem por fim despertar o amor
do homem para com Deus. Segundo esta idéia, a morte de Jesus Cristo não se
relaciona intimamente com a justiça de Deus, nem com a necessidade do homem.
As passagens mais citada em abono desta teoria são as seguintes: “Porque
Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu Filho unigênito, para que todo
aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”(João 3:16). “Mas Deus
recomenda o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós sendo nós ainda
pecadores”(Romanos 5:8).
b) A Idéia Comercial - A concordância é também descrita como um
resgate feito por Jesus para livrar da escravidão do pecado. É verdade que a
Bíblia apresenta o trabalho feito por Jesus Cristo deste ponto de vista. Mas
não devemos pensar que esta idéia abrange tudo quanto Jesus fez por nós na cruz
do Calvário. É verdade que Ele pagou um grande preço para nos remir; porém,
isto não foi simplesmente uma transação comercial. A morte de Jesus Cristo
envolve muito mais do que isso. Citemos algumas passagens que abonam esta
idéia. “Assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir
e a dar a sua vida em resgate por muitos”(Mateus 20:28). “O qual se deu a si
mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo”(I
Timóteo 2:6). “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós
haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de
perdição, e negarão o Senhor, que os resgatou, trazendo sobre si mesmos
repentina perdição” ( I Coríntios 6:20).
c) A Idéia Legal - A Bíblia descreve também a concordância
do ponto de vista da lei. Neste sentido, a concordância é considerada
obediência às exigências da lei. Como bem sabemos, o homem transgrediu a lei de
Deus, não havendo quem a cumprisse. Por isso Jesus veio satisfazer às exigências da lei. “Mas, vindo a plenitude
dos tempos, Deus enviou o seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para
remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Mateus 3:15). “E, achado
em forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte
de cruz” (Filipenses 2:8)
d) A Idéia Sacrificial - A
concordância é descrita como o trabalho do mediador de reconciliar Deus com os
homens por meio de um sacrifício. O novo Testamento está cheio de passagens que
representam a concordância como um grande sacrifício. “Mas, vindo Cristo, o
sumo sacerdote dos tens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não
feito por mãos, isto é, não desta feitura, nem por sangue de bodes e bezerros,
mas por seu próprio sangue, uma vez entrou no santuário, havendo efetuado uma
eterna redenção” (Hebreus 9:11,12). “Porque, se nós sendo inimigos, fomos
reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já
reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Romanos 5:10). “E que, havendo
por Ele feito a Paz pêlos sangue da sua cruz, por ele reconciliasse consigo
mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão na terra,
como as que estão nos céus” (Colossenses 1:20).
Vale a penas citarmos aqui palavras de Saías, muito preciosas neste
assunto. “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava
pelo seu caminho; porém o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.
Exigindo-se-lhe, ele foi oprimido, por’lem não abriu a sua boca: como um
cordeiro, foi levado ao matadouro, e, como ovelha muda perante os seus
tosquiadores, assim não abriu a sua boca. Da ânsia e do juízo foi tirado; e
quem contará o tempo da sua vida? E porque foi cortado a terra dos viventes:
pela transgressão do meu povo a praga estava sobre Ele. E puseram a sua
sepultura com os ímpios, e com o rico estava na sua morte; porquanto nunca fez
injustiça, nem houve engano na sua boca. Porém, ao Senhor agradou moê-lo,
fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a
sua semente e prolongará os dias; e o
bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. O trabalho da sua alma Ele verá, e
se fartará; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos:
porque as suas iniquidades levará sobre si. Pelo que lhe darei a parte de
muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; e levou sobre si o pecado
de muitos, e intercede pelos transgressores” (Saías 53:6-12)
Todo este capítulo fala do sacrifício expiatório de Jesus, e convém ser
lido com muita atenção: “Verdadeiramente Ele tomou sobre si as nossas
enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito,
ferido de Deus, e oprimido. Porém, Ele foi ferido pelas nossas transgressões, e
moído pelas nossas iniquidades: o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele,
e pelas suas pisaduras fomos sarados” ( Saías 53:4-5)
Um exame destas passagens citadas mostrar-nos-á, claramente, que as
Escrituras apresentam a obra de Cristo na redenção humana, destes quatro pontos
de vista: Moral, Comercial, Legal e Sacrificial. Deve-se nota, porém, que a
idéia sacrificial é a mais fundamental e abrange todas as outras. O sacrifício
de Jesus Cristo na cruz do Calvário não só lançou as bases da nossa salvação, mas
também satisfaz às exigências da lei de Deus. Foi um grande preço pago por
Jesus e também a maior expressão de amor de Deus. Temos, pois, na idéia
sacrificial o resumo, a essência de todas as outras idéias que giram em torno
da doutrina da concordância.
Os escritores inspirados acharam
tão rica a obra redentora de Jesus Cristo que a apresentaram destes diversos
pontos de vista que acabamos de mencionar, a fim de que evitemos o erro de
construir a nossa doutrina de concordância num deles somente. A doutrina
verdadeira da concordância deve incluir todas essas idéias, porque, como já
observamos, o que Cristo fez revelou o amor de Deus. serviu de resgate e
satisfez a todas as exigências da lei. Muitos erros que surgem em torno desta
doutrina são oriundos de idéias parciais e unilaterais, o que devemos evitar. A
Bíblia inclui todas as significações debaixo da grande idéia de sacrifício que
achamos tão magistralmente exposta no capítulo 53 do livro de Saías.
Vejamos, pois, o que dizem as Escrituras sobre esta grande doutrina da
concordância. Deparam-se-nos duas perguntas, a que procuremos responder. A
primeira é: Qual o fim da morte de Jesus em relação a Deus? A segunda: Qual o
fim da morte de Jesus em relação ao homem?
5.2.2. A Doutrina da Concordância
a) A concordância em relação a
Deus - Como já tivemos ocasião de observar, havia em Deus um problema a ser
Resolvido antes que o homem pudesse reconciliar-se com Ele. Havia um amor a
revelar-se e uma justiça a ser vindicada. A Parábola do Filho Pródigo, segundo o pesar de muitos, não representa bem o
problema de reconciliação relativamente a Deus, porque ela nos mostra Deus
pronto e desejoso de receber o Filho pródigo, tal qual estava. Parece que não
havia em Deus nenhum obstáculo em receber o homem em íntima comunhão. Há,
porém, os muitos passos bíblicos que revelam que Deus não podia perdoar ao
homem sem que fossem satisfeitas, primeiramente, as exigências da sua própria
natureza, da sua dignidade. Deus teria sido menos Deus se não tivesse exigido
do homem, da raça humana, uma satisfação da ofensa cometida contra a sua
pessoa. Até mesmo um homem quando ofendido na sua dignidade, não se reconcilia
com o seu ofensor sem exigir deste amplas satisfações. E quanto mais reto e
digno é o homem, mais certo é que ele as exigirá. Assim é também em relação a
Deus.
O fim do perdão é comunhão. E como poderia Deus ter comunhão com o homem
sem que exigisse primeiro uma satisfação? Se Deus deixasse passar a falta pelo
homem cometida sem exigir-lhe uma satisfação, teria, de certo modo, pactuado
com Ele. O grande problema da reconciliação não é de Deus baixar-se ao nível do
homem, mas, sim, o de elevar o homem ao nível de Deus. Havia, pois, grande
necessidade de reivindicação. Deus não
sacrifica a sua própria dignidade para ter comunhão com o homem impenitente.
Jesus, por ser Deus, achava-se em condições de satisfazer às exigências da natureza de Deus. A ofensa
feita pelo homem, por meio dos seus
pecados, era tão grande que não havia possibilidade de o homem reparar a falta
cometida. Tão grande que não havia possibilidade de o homem reparar a falta
cometida. Tão grande que já não havia possibilidade de a raça, por si mesma,
operar a sua reconciliação com Deus. Era necessário, portanto, que o Filho do
homem fosse levantado na cruz para que reconciliasse Deus com o homem. Ele
resolveu este problema que se achava em Deus e abriu o caminho para o filho
pródigo voltar ao lar paterno. A parábola do Filho Pródigo nos faz ver esta
obra realizada por Jesus Cristo em relação a Deus.
b) A concordância em relação à
humanidade - O grande fim de Jesus em relação à humanidade toda era
trazê-la ao arrependimento e a uma nova reconciliação com Deus o Pai. Já vimos
que Jesus satisfez plenamente às exigências da natureza de Deus. e agora, por
causa da sua humanidade, Ele fez o que o homem não podia fazer. Pela sua morte
deu ao homem não só a esperança, como
também a certeza de um comunhão íntima com Deus. Desde que o homem aceite o que
Cristo fez em seu favor, Deus está pronto a perdoar-lhe e a recebê-lo de novo
em íntima comunhão. O homem, porém, precisa chegar-se a Deus por meio de Jesus
Cristo. Cristo é o Caminho e ninguém chegará ao Pai senão por Ele. “Eu sou o
Caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).
À raça já não restava esperança alguma de reconciliação com Deus; porém, o que
ela não podia fazer de modo nenhum, Cristo fez, de sorte que, acei6tando o que
Cristo fez por ela, pode achar paz com Deus.
c) A extensão da concordância -
A Bíblia ensina que a concordância foi feita para todo homem. A salvação que há
em Jesus Cristo é suficiente para toda humanidade. “Ele é a propiciação pelos
nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (
I João 2:2). “O qual se deu a si mesmo em resgate por todos, para servir de
testemunho a seu tempo” (Tim. 2:6).
Destas passagens claramente se depreende que a salvação é para todos.
Convém notar, porém, que a sua aplicação é diferente, porque é limitada aos que
crêem. Isto é, a salvação , quanto à sua base, é universal, ma, quanto à sua
aplicação, limita-se exclusivamente aos que crêem. “Para que todo aquele que
nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal
maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que o mundo fosse salvo por Ele.
Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado; porquanto
não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:15-18). “Isto é, a justiça
de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não
há diferença” (Romanos 3:22).
5.2.3. A obra intercessória de
Jesus Cristo - O ofício sacerdotal de Cristo não findou com o trabalho de
concordância, porque ele continua a ser sacerdote. Ele continua a trabalhar, a
interceder em favor da humanidade. Ensinam-se as Escrituras que Ele voltou aos
céus, que está agora à destra do Pai, e lá continua o seu trabalho intercessório. Lá no céu Ele
continua ainda como sumo sacerdote. “E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes
em grande número, porquanto pela morte foram impedidos de permanecer. Mas este,
porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também
salvar perfeitamente aos que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para
interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, inocente,
imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (Hebreus
7:23-26).
a) A natureza do trabalho
intercessório de Jesus Cristo - Este trabalho é uma atividade especial e
contínua de Jesus Cristo, pela qual Ele garante ao crente as bênçãos não só
espirituais, mas também temporais. Esta intercessão de Cristo baseia-se no seu
sacrifício aqui na terra. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que
não pequeis, e, se alguém pecar, temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo,
o justo. E Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos
nossos, mas também pelos de todo o mundo” ( I João 2:1-2).
Estas palavras do apóstolo João ensinam que Cristo continua interceder por nós junto do Pai, como os
antigos sacerdotes intercediam pelo povo; mas, aqui, decerto, com muito mais
eficácia, porque Cristo é sacerdote perfeito.
b) Os fins do trabalho
intercessório de Jesus Cristo - Podemos descobrir, pelo menos, dois fins na
obra intercessória de Jesus Cristo.
a) Uma intercessão a favor de
todos os homens em geral.
“Pelo que lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele
o despojo; porque derramou a sua alma na morte, e foi contado com os
transgressores; (Saías 53:12). “E Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes, porque não
sabem o que fazem. E, repartindo os seus vestidos, lançaram sortes”(Lucas
23:24).
b) Uma intercessão especial a
favor dos crentes - Dentre as muita passagens que ensinam esta idéia
citamos apenas as três seguintes: “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro
Consolador, para que fique convosco para sempre” ( João 14:16). “Eu rogo por
eles: não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (João
17:9). “Pelo que convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser
misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas que são para com Deus, para
expiar os pecados do povo. Porque naquilo que Ele mesmo, sendo tentado,
padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hebreus 2:17-18).
5.3. Cristo como Rei
Vimos páginas atrás, que Jesus, além de profeta sacerdote, eram também
Rei. Em virtude deste ofício, Cristo há de reinar sobre todas as coisa, assim
no céu como na terra. Consideremos os seguintes passos bíblicos que se referem
ao reino Universal de Jesus Cristo: “Eu, porém, ungi o meu rei sobre o meu
santo monte de Sião. Recitarei o decreto: O Senhor me disse: Tu és meu Filho,
eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e os fins da
terra por tua possessão” (Salmos 2:6-8). “E quando o Filho do homem vier em sua
glória e todos os santos anjos com Ele, então se assentará no trono da sua
glória, e todas as nações serão reunidas diante D’Ele, e apartará uns dos
outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (MATEUS 25:31-32). “E
chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É me dado todo o poder no céu e na
terra” (Mateus 28:18).
Também Jesus reinará na igreja militante, isto é, na sua igreja, que
aqui na terra milita contra o mal.
Quando Jesus nasceu, do céu desceram os anjos, cantando e anunciaram aos
pastores: “que hoje, na cidade de Davi, vos nasceu o Salvador que é Cristo o
Senhor” (Lucas 2:11). “Respondeu Jesus: o meu reino não é deste mundo; se o meu
reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, par que eu não fosse
entregue aos judeus: porém, agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe, pois,
Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: TU
DIZES QUE EU SOU. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo para dar
testemunho na verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (João
18:37-38). “E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o
constituiu por cabeça da igreja” (Efésios 1:22).
Finalmente Jesus reinará na sua igreja triunfante. “E nos fez reis
sacerdotes para Deus e seu Pai: a Ele glória e poder para todo o sempre. Amém”
(Apocalipse 1:6). “Que também, como uma verdadeira figura, agora nos salva, o
batismo, não do despojamento da imundícia do corpo, mas o da indagação de uma
boa consciência para com Deus, tendo subido ao céu; havendo-se-lhe sujeitado os
anjos, e as potências” (I Pedro 3:2-22).
A Preexistência de Cristo
Ao usarmos o termo “preexistência” de Cristo, referimo-nos aquele período da sua existência anterior ao
seu nascimento físico em Belém da Judéia.
Por serem profundos, e até incompreensíveis à mente humana, os aspectos da
preexistência e do eterno passado de Cristo, muitos crentes simplesmente não
pensam na alta impor6tflancia deste aspecto da sua vida. Muitos nunca chegaram a
ponderar a realidade da existência e de
Cristo ser antes Ele nascer do ventre da virgem Maria. Outros simplesmente
supõem que Ele estivesse inativo antes de se apresentar em forma humana.
Cristo é preexistente por sua natureza eterna.
A Bíblia nos ensina que Cristo nasceu em Belém da Judéia há quase dois
mil anos. Ensina também que Cristo já existia antes do seu nascimento físico,
havendo, de fato, existido eternamente.
1. Antes da criação do mundo -
Jesus, na sua oração sacerdotal, mencionou sua preexistência quando disse em
João 17:5 “E agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu
tive junto de ti, antes que houvesse o mundo”. Também na mesma oração Eus disse
em 17:24: “... porque me amaste antes da fundação do mundo”.
2. Antes de Abraão - (João
8:58-59). O mais claro ensino bíblico a este respeito se encontra nas palavras
do próprio Jesus Cristo (João 8:58), ao dirigir-se aos fariseus. Note bem que
Jesus não disse: “Antes que Abraão existisse eu era”, mas “Em verdade, em verdade eu vos digo: Antes que Abraão
existisse eu sou”.
3. Igualando-se ao Deus que falou com Moisés em Êxodo 3.14, Ele se
revelou como “Eu sou o que sou”. Os judeus entenderam perfeitamente esta alusão
à preexistência de Jesus Cristo, e quiseram apedrejá-lo por haver feito tal
declaração da sua igualdade com o Pai.
4. O Alfa e o Ômega (ap 1.8).
Em Apocalipse 1.8, João ouve a poderosa voz de Jesus que declara: “Eu sou o
Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”. Alfa e Ômega correspondem às letras A e Z
do alfabeto grego, e tais expressões indicam que, em vez de ter início e fim,
Jesus Cristo é antes de todo o início (Sendo Ele mesmo Criador, como adiante se
verá) e continuará a ser depois do fim de todas as coisas.
5. Natureza eterna - Quando
falamos da natureza eterna de Cristo, referimo-nos de que Ele não tem início
nem fim.
Aceitando pela fé este conceito fundamental, não nos precisamos
preocupar com perguntas inúteis como: - “Quando Cristo começou a existir? ou, -
“Quando foi que Cristo se originou?” Aceitamos sem reserva a explicação dada na
Bíblia. O que nos interessa é o que a palavra de Deus ensina sobre a
preexistência de Cristo.
6. Igual ao Pai - Em
Filipenses 2.6, lemos acerca de Jesus as seguintes palavras: “Ele, subsistindo
em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus”. Evidentemente,
se Cristo é igual a Deus compartilha igualmente da preexistência de Deus.
O Novo Testamento revela mais que o Antigo o Conceito da Santíssima
trindade. A pessoa e o ofício do Espirito Santo, por exemple, são enfocados
particularmente nos ensinamentos de Jesus Cristo. O Espírito foi concedido de
modo especial à Igreja (Atos 2). Quanto ao Senhor Jesus, vemos a sua
manifestação nos Evangelhos e percebemos a sua preexistência com o Pai e o
Espírito Santo muito antes do princípio de todas as coisas. (Leia Colossensses.
Falsos Conceitos - Têm aparecido neste mundo
muitas seitas e religiões falsas que tentam estabelecer pontos de origem
diferentes para as três pessoas da Santíssima Trindade. Sirva de exemplo de
tais grupos o Gnosticismo, seita com raízes no primeiro século da Era Cristã, e
contra a qual se dirigem as palavras do primeiro capítulo do Evangelho de João.
Mesmo no dias de hoje, existem religiões que se dizem cristãs, mas que
não aceitam a igualdade e a preexistência de Cristo com Deus, o Pai. Entre tais
falsas religiões se contam o racionalismo cristão, o mormonismo (Santos dos
Últimos Dias), as testemunas-de-Jeová, e o unitarismo.
Jesus, porém, declarou-se definitivamente quanto à sua igualdade com
Deus Pai, dizendo em João 10.30: “Eu e o Pai somos um”.
Cristo é o Verbo eterno de
Deus
Os 18 versículos iniciais do primeiro capítulo do Evangelho Segundo João
apresentam uma revelação de Cristo, o Verbo Eterno de Deus tão magnífica, que
muitos estudiosos da Bíblia decoram o trecho inteiro.
Conforme aprendemos no texto anterior, dos autores dos Evangelhos, é
João quem mais diretamente ataca toda e qualquer. doutrina que tenta negado a
divindade e preexistência de Cristo.
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus”(João 1.1) - O que é um “verbo”? - É a expressão ativa, auditiva, de um
pensamento ou propósito invisível. Através de palavras e ações, podemos
compreender os pensamentos de outras pessoas. E assim é que Cristo, como o
Verbo divino, nos revela a mente de Deus Pai.
João 1.18 nos diz que ninguém jamais viu a Deus, mas que Jesus, o
unigênito que está no seio do Pai, sendo o Verbo de Deus, é quem o revela a
nós.
Para evitar qualquer sombra de dúvida acerca da identidade de Cristo
como sendo o Verbo Eterno de Deus, João fala claramente ao descrever a
encarnação de Jesus: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós ...”(1.14).
A revelação de Deus mediante Cristo expressa-se novamente em Hebreus
1.3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu ser...,
assentou-se à direita da majestade nas altura”.
João, no princípio do seu evangelho, não somente comprova a divindade e
a preexistência de Cristo, o Verbo de Deus, mas também revela a Cristo como
Criador, Vida, Luz, Unigênito do Pai, doador de graça e verdade, e Revelador do
Pai.
Sabedoria (Pv 8.22-23). Tudo isso confirma a eterna preexistência de
Cristo. Antes de Examinarmos o ato da criação, vejamos um texto do Antigo
testamento que se refere ao período anterior, Em Provérbios 8.22-31, ouvimos a
voz da sabedoria (identificada no versículos 22-23: “O Senhor me possuía no
início de sua obra, antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui
estabelecido, desde o princípio, antes do começo da terra”.
- Quem personifica aqui a Sabedoria de Deus? - Sob inspiração divina, o
apóstolo Paulo atribui este título a Jesus Cristo em 1 Coríntios 1.24:
“Pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”.
Jesus mesmo se refere aquele tempo antes da criação, ao orar ao Pai em
João 17.5: “E agora glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu
tive junto de ti, antes que houvesse o mundo”.
Criador (1.3). Havendo verificado a eterna existência de Jesus antes da criação,
voltemos a João 1.3, onde lemos que “todas as coisas foram feitas por
intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Tal fato não
contradiz a declaração de Gêneses 1.1: “No princípio criou Deus os céus e a
terra”, pois já fica estabelecido que Cristo é Deus. Ele é o poderoso Verbo de
Deus.
Em Colossensses 1.16, lemos ainda acerca da criação. “Nele foram criadas
todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam
tronos, sejam soberanas, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por
meio dele e para Ele”.
Em Hebreus 1.1-2 lemos que “Deus... nestes últimos dias nos falou pelo
Filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisa, pelo qual também fez o
universo”.
O Senhor Jesus não é somente o grande criador, mas é também o fiel
sustentador da vida e da criação em geral. “Ele é antes de todas as coisas.
Nele tudo subsiste”. (Cl 1.17).
Aplicação - O leitor poderá perguntar: - “Eu já aceitei Jesus Cristo como meu
Salvador, e faz tempo que o sirvo, mas não sabia da sua preexistência, nem d
sua suprema importância. O conhecimento disso aumentará minha intimidade com
Ele?
Em resposta diríamos que sua compreensão do mistério da preexistência de
Cristo deve Inspirar no seu coração uma profunda adoração a tão maravilhoso
Salvador. Você deve louvar a Jesus por sua obra excelsa. Doravante você vai
louvá-lo muito mais ainda, falando das grandezas que acaba de descobrir.
E mais, ao pensar no mistério da Existência de Cristo antes do seu
advento a este mundo, você compreenderá melhor a inesgotável capacidade dele de
resolver qualquer problema da sua vida, leitor, e de satisfazer todas as suas
necessidades.
De quem se fala em Filipenses 1.6 com tamanha confiança: “Estou
plenamente certo de que aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la
até o dia de Cristo Jesus”? - Fala-se de Cristo Jesus, que sempre existiu e é o
grande criador dos mundos (Hb 1.3). Ele é digno, e bem merece a nossa plena
confiança.
A REVELACÃO DE CRISTO NO
ANTIGO TESTAMENTO
Quem pensar que a revelação de
Cristo encontra somente no Novo Testamento desconhece um rico tesouro, pois
Cristo é o tema central de toda a Bíblia Sagrada.
Mesmo no Gênesis, o primeiro livro da Escritura, encontram-se muitas
referências à futura vinha do Messias.
Já no terceiro capítulo Deus advertiu Satanás de que o descendente da mulher
(seu Filho Jesus) lhe feriria a cabeça. No mesmo capítulo, Deus recusou aceitar
as folhas de figueira como vestiduras de Adão e Eva, e Ele mesmo imolou animais
para fazer-lhes vestimentas de peles. Este ano prefigura, sob dois aspectos, o
sacrifício de Jesus Cristo no Calvário: a necessidade de sangue ser derramado
para expiar o pecado, e a substituição de uma vítima inocente pelo culpado,
para salvar-lhe a vida.
Neste capítulo, vamos examinar a tipologia (pessoas, eventos e
instituições) da pessoa e obra de Cristo, encontrada no Antigo Testamento.
Também analisaremos grande número de profecias messiânicas aí contidas.
Cristo Revelado na Tipologia
O que é tipologia? - A tipologia Bíblica apresenta pessoas, eventos e
instituições do Antigo Testamento que servem de sombra ou prefiguração de
pessoas e eventos do Novo Testamento. A representação inicial se chama tipo, e
a realização dela, antítipo.
Podemos compreender melhor o Livro de Hebreus, por exemplo, se
estivermos cientes do fato de que o autor revela muitos tipos do livro de
Levítico que encontraram cumprimento no Novo Testamento. Lemos em Hebreus 10.1:
“Visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas,
nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios
que, ano após ano, perpetuamente eles oferecem”. Temos aqui um exemplo: o tipo
é a antiga aliança, ou seja, a Lei; sua realização, ou o antítipo, é a nova
aliança proporcionada pela morte de Cristo no Calvário.
É verdade que num só texto breve não se pode tratar devidamente o tema
tipologia, que bem merece um estudo em separado. Mesmo assim, o autor acharia
incompleta a sua apresentação da Cristologia sem algumas referências às muitas
fontes textuais que prefiguram, no Antigo Testamento, a pessoa e obra de
Cristo.
Tipologia... funções. O capítulo 5 de Hebreus nos mostra que tanto Arão
como Melquisedeque foram tipos de Cristo no que diz respeito ao seu sacerdócio.
(Alguns estudiosos acham mesmo que Melqulisedeque era o Cristo preencarnando
que se revelava a Abraão (Gênesis 18) e aos amigos de Daniel na fornalha de fogo
(Daniel 3).
O capítulo 3 de Hebreus mostra que Moisés foi um tipo de Cristo no seu
papel de libertador; nesta função aparecem também Josué. Devemos lembrar,
contudo, que no estudo de tipologia o antítipo se manifesta sempre bem superior ao tipo que o prefigura. Não há, por
exemplo, na vida de Cristo, aquelas
fraquezas humanas evidentes nos indivíduos que lhe servem de tipo.
Tipologia... eventos. Vejamos agora alguns dos eventos que traziam
função de tipo para futuro cumprimento na vida de Cristo. Números capítulo 21
nos relata como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto, e como todos
os israelitas que a contemplavam ficavam curados da picada das cobras vivas. Em
João 3.14-15, ouvimos as palavras de Jesus: “Do mesmo modo por que Moisés levantou
a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para
que todo o que nele crê tenha a vida eterna”.
No capítulo 22 de Gênesis, a prontidão de Abraão para sacrificar seu
filho Isaque, serve de Tipo de Deus, que deu seu Filho unigênito em sacrifício
por nós, pecadores.
Os três dias e noites passados por Jonas no ventre do peixe são um tipo
do intervalo entre a crucificação de Cristo no Calvário e sua ressurreição ao
terceiro dia. Em Mateus 12.40, Jesus diz: “Assim como esteve Jonas três dias e
três noites no coração da terra”.
Tipologia... instituições. Vejamos a seguir algumas instituições do
Antigo Testamento cuja realização se encontra em Jesus Cristo: os sacrifícios
de animais, o sacerdócio, o tabernáculo ( e o templo) e a lei mosaica.
No que diz respeito ao sacrifício de animais para expiação de pecados,
lemos em Hebreus 9.13-4: “Se o sangue de bodes e de touros, e a cinza de uma
novilha, aspergida sobre contaminados, os
santifica, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo
que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se
ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para
servirmos ao Deus vivo!”
Acerca do sacerdote, assim como este, santo, inculpável, sem mácula,
separado dos pecadores, e feito mais alto do que os céus, que não tem
necessidade, como os sumos sacerdotes de oferecer todos os dias sacrifícios,
primeiro por seus próprios pecados, depois pelos do povo; porque fez isto uma
vez por todas, quando a sim mesmo se
ofereceu”.
O tabernáculo (e o templo) foram construídos conforme minuciosas
instruções das por Deus a Moisés e a Salomão, respectivamente. Os detalhes
referentes à mobília e aos rituais são ricos em termos de tipologia, mas por
isso mesmo ultrapassam o alcance deste assunto, merecendo estudo separado.
Basta-nos, por enquanto, citar aqui Hebreus 9.24: “Porque Cristo não entrou em
santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para
comparecer, agora, por nós, diante de Deus”.
Em parágrafo anterior, citamos Hebreus 10.1, que mostra como a lei
mosaica era tipo de nova aliança oferecida por Jesus. Lemos ainda em Gálatas
3.24 que a lei serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos
justificados pela fé!
Profecias do Nascimento de
Cristo
Além da maravilhosa tipologia de Cristo encontrada por todo o Antigo
Testamento, há também muitas profecias que falam diretamente do nascimento do
Messias, o Ungido.
Primeiras Profecias. As primeiras profecias são algo veladas, mas quanto
mais se aproxima o momento determinado para o nascimento do Cristo (Messias),
mais claras se tornam essas mensagens.
Em Gênesis 3.15, por exemplo, Deus diz a Satanás: “Porei inimizade entre
ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente; este te ferirá a
cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar!” Tempos depois temos a profecia mais
específica, de Saías 7.14: “Portanto o Senhor mesmo vos dará sinal: Eis que a
virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel”. O nome
Emanuel, que significa “Deus conosco”, leva implícito o conceito da encarnação
de Cristo.
A profecia de Miquéias. Outra profecia referente ao nascimento de Jesus
Cristo se encontra em Miquéias 5.2: “E tu, Belém Efrata, pequena demais para
figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em
Israel, e cujas origens são desde os dias da eternidade. “O final deste
versículo esclarece bem a sua referência ao Messias encarnado.
A profecia de Daniel. Foi dada a Daniel uma profecia referente ao prazo
da vida terrestre do Messias. Em Daniel 9.24-27, o profeta vaticina que a morte
do Messias ocorreria 483 anos (isto é, sete semanas e 62 semanas de anos) após
o decreto Médo-Pérsa para reedificação
de Jerusalém: “Sabe, e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para
edificar Jerusalém, até o Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas
semanas”.
Profecias da Vida de Cristo
As profecias messiânicas do Antigo Testamento vaticinam as muitas
funções desempenadas por Cristo aqui na terra.
Como profeta. Moisés fala do papel de Cristo como profeta quando diz em
Deuteronômio 18.15: “O Senhor teu Deus te suscitará um profeta do meio de ti,
de teus irmãos, semelhante a mim: a Ele ouvirás”.
Jesus confirmou o fato de ser Ele mesmo aquele profeta prometido,
dizendo em João 5.46: “Se de fato Crêsseis em Moisés, também creríeis,
porquanto ele escreveu a meu respeito”.
No sentido restrito, o termo profeta aplicado a Jesus refere-se
primeiramente ao seu ministério como mensageiro das boas-novas de salvação e
libertador dos oprimidos do poder do mal. O outro sentido de profeta é predizer
eventos futuros. Nesta acepção, uma das muitas profecias proferidas por Jesus
Cristo se encontra no capítulo 24 do Evangelho segundo Mateus.
Como sacerdote. Em 1 Samuel 2.35 lemos uma profecia acerca do papel de
Cristo como sacerdote. “Então suscitarei para mim um sacerdote fiel, que
procederá segundo o que tenho no coração e na mente ... e andará Ele diante do
meu Ungido para sempre”. Hebreus 6.20 confirma o fato de esta profecia se referir
a Jesus: “Jesus como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote
para sempre...”
Como rei. Jeremias 23.5-6 vaticina o papel de Cristo como Rei.
“Levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente e
executará o juízo e a justiça na terra... Será este o seu nome, com que será
chamado: Senhor Justiça Nossa”. Na ocasião da entrada triunfal de Jesus em
Jerusalém Ele foi chamado “Rei de Israel” (Jo 12.13). Sabemos Também que muitas
das referências proféticas a Cristo como Rei da terra serão cumpridas por
ocasião da sua segunda vinda.
Como alicerce. Saias vaticina o papel de Cristo como alicerce e pedra
angular da revelação divina: “Eis que eu assentei em Sião uma pedra, pedra já
provada, pedra preciosa, angular, assentada” (Is 28.16). Pedro, citando este
trecho na sua primeira epístola, capítulo 2 e versículo 6, mostra-o como
profecia já cumprida em Cristo.
Como servo. Saías também se refere a Cristo como servo (52.13), papel
desempenhado inúmeras vezes por Ele, como na ocasião em que lavou os pés de
seus discípulos (Jo 13).
Como operador de milagres. Foi também Saías quem profetizou os milagres
de cura que seriam realizados por Cristo. “Então se abrirão os olhos dos cegos,
e se desempedirão os ouvidos dos surdos; os coxos saltarão como cervos, e a
língua dos mudos cantará” (Is. 35.5-6). Quando João Batista, preso, começou a
ponderar se Jesus era realmente o Messias, este respondeu muito simplesmente:
“Ide, e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos vêem, os coxos
andam, os leprosos são purificados, os surdo ouvem...” (Mt 1.4-5).