Fundamento

Um Estudo Teológico sem visão ministerial, não ligado à nenhuma denominação, seja Evangélica, Católica ou qualquer Religião.
J E S U S - Tendo sua FÉ fundamentada em Jesus, o Cristo, jamais deixe de olhar para Ele, não importa o que se aprenda, tanto nas Igrejas quanto na Teologia.

Se é o dom de servir, então devemos servir; se é o de ensinar, então ensinemos; Romanos 12.7

Doutrina da Igreja


Você está iniciando agora o estudo de uma matéria importantíssima que, sem dúvida alguma, enriquecerá o seu conhecimento teológico e fará brilhar em sua mente a luz do esclarecimento de pontos importantes da Palavra de Deus.


Índice
INTRODUÇÃO                                                                   .......................................... 4

       I –A IGREJA (definições)

a) A Igreja universal                                                          .......................................... 5
b) A Igreja local                                                       .......................................... 6
     II –O INÍCIO DA IGREJA                                             .......................................... 8
1) Características dos crentes  da Igreja Primitiva        ................................ 9
2) Resumo da história da Igreja                                      ................................ 9

   III – A NATUREZA DA IGREJA

1) Terminologia                                                      ..........................................12
a) Povo de Deus                                                ..........................................12
b) Corpo de Cristo                                             ..........................................13
c) Templo do Espírito                                        ..........................................14

    IV – AS ATIVIDADES DA IGREJA

1) A Igreja adora a Deus                                       ..........................................16
2) A Igreja edifica-se a si mesma                         ..........................................17
3) A Igreja evangeliza o mundo                           ..........................................18

     V – A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA

1) O modelo episcopal                                          ..........................................20
2) O modelo presbiteriano                                    ..........................................21
3) O modelo congregacional                                ..........................................21
CONCLUSÃO                                                                    ..........................................22

INTRODUÇÃO
Uma área da Teologia cristã frequentemente desprezada é a Doutrina da Igreja. Tal descuido deve-se, em parte, à suposição comum de que algumas áreas do estudo teológico são mais essenciais para a salvação e a vida cristã, como por exemplo as doutrinas de Cristo e da Salvação, ao passo que outras são realmente mais emocionantes, como as manifestações do Espírito Santo ou a doutrina das últimas coisas. A Igreja, por outro lado, é assunto que muitos cristãos consideram conhecido. Afinal de contas, tem sido parte regular de sua vida. Que proveito haveria no estudo extensivo de algo tão comum e rotineiro na experiência da maioria dos crentes? A resposta, logicamente, é: bastante.
As Escrituras são enfáticas quando afirmam que a Igreja é um projeto de Deus, uma criação Divina, que visa atender aos propósitos Divinos. Estudar a Doutrina da Igreja não é apenas um exercício acadêmico mas, sim, acima de tudo, um exercício prático e muito edificante, pois aprendemos a viver dentro daquilo para o qual Deus nos projetou. Estudar a Doutrina da Igreja é antes de tudo um aperfeiçoamento diário, pois os parâmetros da vida e conduta da Igreja podem ser facilmente identificados nas Escrituras e assim aplicados a nossa vida cotidiana.
Estaremos, dentro outros, estudando nesta seção assuntos relacionados a Igreja, tais como:
- O que é a Igreja?
- Quando a Igreja Começou?
- Qual a Natureza da Igreja?
- O que a Igreja Faz?
- A organização da Igreja
    I – O QUE É A IGREJA?
Suponhamos que você tivesse mencionado a palavra igreja para alguém que nunca antes tivesse ouvido e que então lhe perguntasse: “Que quer dizer igreja?” Com base em sua experiência o que você responderia?
Se você tem as mesmas idéias de tantas pessoas hoje em dia, então a sua resposta à pergunta acima seria algo como: “Uma igreja é um lugar onde as pessoas reúnem-se para adorar”. Mas, se você quisesse ser mais preciso, talvez chegasse a dizer: “A palavra igreja refere-se a uma organização composta por grupos de pessoas em diferentes lugares, que têm as mesmas idéias doutrinárias, são guiadas pelas mesmas regras e têm alvos similares”.
Ambas as respostas dão-nos alguma idéia sobre como o termo igreja é definido por muitas pessoas e podem ser consideras corretas, de conformidade com a compreensão moderna do vocábulo. Entretanto, quando a Bíblia fala sobre a Igreja, há uma significação muito mais profunda.
DEFINIÇÃO DE IGREJA
Jesus disse: “Edificarei a minha Igreja...(Mt.16:18)”. Esta é a primeira entre mais de cem referências no Novo Testamento que empregam a palavra grega ekklêsia, que é composta pela preposição ek (fora de) mais o verbo kaleõ (chamar). Logo, o termo denotava um grupo de cidadãos chamados e reunidos, visando um propósito específico. Este termo é conhecido desde o século V a.C., nos escritos de Heródoto, Xenofontes, Platão e Eurípedes.
A Bíblia nunca se refere a certo tipo de edificação como sendo a Igreja, conforme se vê hoje em dia; mas se refere a certas pessoas que formam a Igreja de Deus. A Bíblia também nunca se refere a Igreja como uma mera organização. As pessoas que identificam o vocábulo igreja dessa maneira associam-na a alguma denominação, como católica, batista, metodista, etc.
No sentido bíblico, há duas definições da palavra igreja:
a) Igreja universal (ou invisível)
As palavras raízes de que se compõe o termo grego ekklesia, o qual é traduzido para o português como igreja, fazem-nos entender que estão em foco as pessoas que respondem à chamada de Deus. Tendo respondido a chamada divina e confessado Jesus como Senhor, essas pessoas tornaram-se membros de Sua família. E agora estão dedicadas a tarefa de anunciar o Evangelho, conforme seu Senhor as instruiu. Essas pessoas formam uma comunidade de obedientes, que se organizam a fim de cumprir a vontade do Senhor. Em larga escala, essa comunidade de crentes que confessam a Jesus como Senhor, representa a Igreja Universal, também chamada de Igreja Invisível. Esse termo inclui todos os crentes, de todos os lugares, que têm a mesma fé em Jesus Cristo e lhe são leais.
b) Igreja local (ou visível)
Em escala menor, a palavra igreja refere-se a alguma comunidade de crentes ou a uma assembléia cristã. São os crentes de uma determinada localidade que compartilham da mesma fé no Senhor Jesus Cristo, são leais a Ele e que se reúnem a fim de adorá-lo coletivamente. Essas comunidades locais podem ser chamadas de igrejas locais ou de igrejas visíveis. Existem vários exemplos de igrejas locais no Novo Testamento:
 “...às igrejas da Galácia...”
(Gl.1:2)
“...a todos os santos em Cristo Jesus, que estão em Filipos...”
(Fp.1:1)
“A todos que estais em Roma, os amados de Deus, chamados santos...”
(Rm.1:7)
“...à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus
(1Co.1:2)
No Antigo Testamento a palavra usada para designar o ajuntamento do povo de Israel é edah, cujo significado essencial é uma reunião de pessoas.
Portanto, tanto do Antigo Testamento como do Novo, podemos concluir que a definição para Igreja é: “Um grupo de pessoas que foram chamados para fora do mundo, do pecado e da vida alienada de Deus, os quais, mediante a obra de Cristo na sua redenção, foram reunidos como uma comunidade de fé que compartilha das bênçãos e responsabilidades de servir ao Senhor”.
Esta definição está clara no seguinte texto bíblico:
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”. (At.2:42-47)
De um modo genérico a definição para a palavra igreja poderia ser: “Chamados para fora”.
A Bíblia ensina que a Igreja é o instrumento escolhido por Deus para cumprir as seguintes funções:
1º - Prover uma adoração coletiva (Jo.4:20-24; Hb.10:25)
2º - Prover o necessário para o crescimento espiritual dos crentes (Ef.4:13-16)
3º - Levar as boas novas da salvação a outras pessoas (Mt.16:18; 24:14; 28:18-20)

  II – QUANDO A IGREJA COMEÇOU?
Com relação a origem da Igreja, não há no meio teológico um consenso quanto a sua exatidão. Dentre as opiniões divergentes, destacam-se as seguintes:
-          Aqueles que acreditam que a Igreja existe desde o início da raça humana, incluindo todas as pessoas que já exerceram fé nas promessas de Deus, a partir de Adão e Eva;
-          Aqueles que apoiam a idéia de que a Igreja iniciou-se à partir do período patriarcal, com início em Abraão e continuando pelo período Mosaico;
-          Aqueles que desenvolvem a teoria de que o início da Igreja deu-se quando Jesus chamou os doze discípulos;
-          Aqueles que, em extremo radicalismo, afirmam que a Igreja só começou com as viagens missionárias do apóstolo Paulo.
Embora as opiniões com relação a este assunto sejam bastante divergentes, há um consenso quase que unânime quanto ao dia da inauguração da Igreja. A maioria afirma que a inauguração da Igreja foi no dia de Pentecostes (At.2).
É bem verdade que a idéia de comunidade formada pelo povo de Deus é vista desde o Antigo Testamento. Esta realidade é vista na promessa de Deus a Abraão, quando afirmou-lhe que seus descendentes seriam o instrumento usado por Ele para abençoar todos os povos da terra (Gn.12:1-3), promessa essa confirmada quando o povo foi libertado do Egito. Todavia, não é necessário estender o começo da Igreja à esses primórdios, haja vista o fato de que no Novo Testamento é que são mostrados as bases desta Igreja.
Há algumas razões para crermos que a Igreja teve seu início no Novo Testamento:
1º) Embora na era pré-cristã Deus certamente se associasse a uma comunidade pactual de fiéis, não há evidências claras de que o conceito de Igreja já existisse no Antigo Testamento;
2º) Ao citar expressamente ekklêsia pela primeira vez (Mt.16:18), Jesus falava de algo que se iniciaria no futuro “edificarei”, o que dá até margem para dizer-se que foi no dia de Pentecostes que a Igreja começou;
3º) Na condição de corpo de Cristo, é natural que a Igreja dependa integralmente de sua Obra, a qual só foi concluída após sua morte e ressurreição, no Novo Testamento.

1) CARACTERÍSTICAS DOS CRENTES DA IGREJA PRIMITIVA
O grande historiador do Novo Testamento (Lucas), nos fornece as seguintes características sobre os primeiros cristãos:
a)       Eles seguiam a um padrão doutrinário obtido através do ensino dos apóstolos (At.2:42);
b)    Eles desfrutavam de comunhão mutua (At.2:43);
c)    Eles observavam as ordenanças do batismo em água e da Ceia do Senhor (At.2:41, 42, 47; Mt.28:19; 1Co.11:23-26);
d)    Eles se reuniam para orar e adorar publicamente (At.2:46; 4:23-31);
e)    Eles ajudavam os irmãos que tinham necessidades (At.2:41; 4:32-35; 6:1-7);
f)        Eles propagavam o evangelho e doutrinavam os novos convertidos (At.11:1-3, 18;15:4-35).
2) RESUMO DA HISTÓRIA DA IGREJA
Para as funções a que se destina o nosso estudo, aproveitaremos o resumo fornecido pelo Dr. Michael L. Dusing, no livro Teologia Sistemática:
“À medida que a Igreja crescia, no decurso dos séculos que sucederam a era do Novo Testamento, seu caráter sofreu várias alterações, algumas das quais se afastavam muito dos ensinos e da Igreja primitiva. Há obras excelentes a respeito da história do Cristianismo, que dariam ao leitor uma perspectiva mais ampla e nítida sobre a trajetória da igreja. Visando os propósitos específicos deste capítulo, porém., são cabíveis algumas breves observações. Durante a era patrística ( o período antigo dos pais da Igreja e dos apologistas da fé), a Igreja experimentou dificuldades externas. Externamente, sofria perseguições severas pelo Império Romano, especialmente durante os trezentos anos iniciais. Ao mesmo tempo, dentro da Igreja desenvolviam-se numerosas heresias, que a longo prazo revelaram-se mais desastrosas que as perseguições.
A Igreja, pela graça soberana de Deus, sobreviveu a esses tempos árduos e continuou crescendo, mas não sem algumas mudanças de consequências negativas. No esforço para manter a união, a fim de melhor resistir as devassas causadas pelas perseguições e heresias, a Igreja cada vez mais cerrava fileiras com os seus líderes, elevando a autoridade destes. Especialmente depois de conseguirem paz e harmonia política com o governo romano do séc. IV, a hierarquia religiosa subiu de categoria. À medida que era aumentada a autoridade e o controle dos clérigos ( especialmente dos bispos), diminuía a importância e a participação dos leigos. Dessa maneira, a Igreja se tornava cada vez mais institucionalizada e menos dependente do poder e orientação do Espírito Santo. O poder do bispo de Roma e da igreja sob seu controle foi crescendo, de modo que, próximo do fim da Era Antiga, a posição de papa e a autoridade da organização, que foi chamada Igreja Católica Romana, se solidificaram na Europa Ocidental. A Igreja Ocidental, no entanto, separou-se e permaneceu sob a direção de bispos chamados “patriarcas”.
Na Idade Média, a Igreja continuava seguindo em direção à formalidade e ao institucionalismo. O papado procurava exercer sua autoridade, não somente em questões espirituais mas também nos assuntos temporais. Muitos papas e bispos tentaram “espiritualizar” esse período da história, no qual imagnavam o Reino de Deus ( ou a igreja Católica Romana) espalhando sua influência e regulamentos por toda a Terra. Tal atitude resultou numa tensão constante entre os governantes seculares e os papas pela manutenção do controle. Não obstante, com poucas exceções, o papado mantinha a supremacia em quase todas as áreas da vida.
É certo que nem todos aceitaram a secularização da Igreja e sua aspiração de cristianizar o mundo. Houve tentativas notáveis de reforma a Igreja, na Idade Média, e de recolocá-la no caminho da verdadeira espiritualidade. Vários movimentos monásticos (por exemplo, os cluníacos do século X e os franciscanos do século XIII) e até mesmo leigos ( os albigenses e os valdenses, ambos do século XII) fizeram esforços nesse sentido. Figuras de destaque, como os místicos Bernardo de Clarival (século XII) e Catarina de Siena ( século XIV) e clérigos católicos, com John Wycliffe ( século XIV) e João Hus ( final do século XIV, início do século XV) procuravam livrar a Igreja Católica de seus vícios e corrupção e devolvê-la aos padrões e princípios da Igreja do Novo Testamento. A Igreja de Roma, no entanto, rejeitava de modo geral essas tentativas de reforma. Ao contrário, tornava-se cada vez mais endurecida na doutrina e institucionalizada na tradição. Semelhante atitude tornou quase inevitável a Reforma Protestante.
No século XVI, surgiram grandes reformadores que tomaram a dianteira na revolução da Igreja: Martinho Lutero, Ulrich Zuínglio, João Calvino e João Knox, entre outros. Juntamente com seus seguidores, compartilhavam de muitas das mesmas idéias dos reformadores que os antecederam. Entendiam que Cristo, e não o papa, era o verdadeiro cabeça da Igreja; as Escrituras, e não a tradição da igreja, eram a verdadeira base da autoridade espiritual’; e a fé somente, e não as obras, era essencial para a salvação. A Renascença ajudara a preparar o caminho para a introdução e aceitação dessas idéias, que haviam sido plenamente aceitas na Igreja do século I mas que agora pareciam radicais, na Igreja do século XVI. Os reformadores tinham opiniões diferentes entre si do Cristianismo, como as ordenanças e o governo da igreja, mas todos eles tinham em comum uma paixão pela volta à fé e práticas bíblicas.
Nos séculos depois da Reforma ( ou era da pós- Reforma), os indivíduos e as organizações têm seguido direções as mais variadas na tentativa de aplicar sua interpretação do cristianismo neotestamentário. Infelizmente, alguns têm repetido erros do passado, enfatizando os rituais e o formalismo da Igreja institucional, às custas da ênfase que a Bíblia dá à salvação pela graça mediante a fé e à vida no Espírito.
O racionalismo do séc. XVIII ajudou a montar o palco para muitos ensinos modernistas e às vezes anti-sobrenaturais dos séculos XIX e XX. Louis Berkhof declara muito acertadamente que semelhantes movimentos têm levado “ao conceito liberal moderno de Igreja como um mero centro social, uma instituição humana, ao invés de plantio de Deus”. De uma perspectiva mais positiva, no entanto, a era pós-Reforma também tem presenciado reações contra essas tendências sufocantes e liberalizantes. As reações surgiram de movimentos que têm ansiado por uma experiência genuína com Deus e a têm recebido. O movimento pietista ( século XVII), os movimentos morávio e metodista (século XVIII) e os grandes despertamentos, o movimento da Santidade e o Pentecostal (séculos XVIII e XX), todos são indícios de que a Igreja fundada por Jesus Cristo (cf. Mt 16:18) ainda está com vida e saúde, e que continuará a progredir até sua Segunda Vinda”.


 III – QUAL A NATUREZA DA A IGREJA?

Quando uma pessoa aceita a Cristo como Senhor e Salvador de sua alma, o Espírito Santo, que a levou à salvação, une-a a todos os outros crentes em uma comunidade espiritual que chamamos de Igreja. Passemos a considerar a natureza desta comunidade espiritual:
1) TERMINOLOGIA
Existem inúmeros termos empregados a Igreja de forma direta ou indireta. Além de ekklêsia, que define teologicamente a comunidade do povo de Deus, a Bíblia também faz outras comparações à Igreja, tais como: “um corpo; uma noiva; um edifício; os ramos de uma vinha; etc. É verdade que seria maravilhoso estudarmos minuciosamente cada uma das muitas comparações que a Bíblia faz com relação a Igreja, porém, para o presente estudo, examinaremos de forma sucinta apenas os mais relevantes:
a) Povo de Deus
Por toda a Bíblia a Igreja é retratada como o povo de Deus. Assim como no Antigo Testamento Deus criou Israel a fim de ser um povo para si mesmo, também a Igreja do Novo Testamento é criação de Deus “povo adquirido” por Ele (1Pe.2:9, 10 cf. Dt.10:15; Os.1:10).
Como povo de Deus a Igreja é descrita no Novo Testamento com os seguintes termos:
¨ Eleitos (Rm.8:33), o que significa que da mesma forma que Israel foi escolhido por Deus para um propósito específico, a Igreja também está eleita para fazer com que a obra de Deus seja concretizada;
¨ Santos (Ef.3:18). Esta afirmação bíblica não significa que os crentes são perfeitos, pois Paulo emprega o termo à igreja de Corinto e os mesmos estavam bem distantes da santidade e perfeição. O termo na realidade traz um sentido de pessoas que são chamadas à santidade e não de pessoas em estado de plena santidade (1Co.1:2);
¨ Crentes (1Ts.1:7), vem do grego pistoi e traz o significado de pessoas que não somente creram, mas que vivem em atitude de contínua fé;
¨ Irmãos (Ef.6:23), do grego adelphoi e significa que os crentes são chamados não somente a amar ao Senhor, mas também uns aos outros;
¨ Discípulos (At.6:1), significa literalmente “aprendiz” ou “aluno”. Nos tempos bíblicos esperava-se muito mais do aluno do que simplesmente aprender o ensino do professor. O verdadeiro discípulo era aquele que imitava o próprio caráter e conduta do professor. Uma prova clara desta afirmação são as palavras de Paulo: “sede meus imitadores como eu sou de Cristo” (1Co.11:1).
b) Corpo de Cristo
Esta é uma das figuras mais relevantes para representar a Igreja de Cristo. Era a expressão predileta do apóstolo Paulo, que frequentemente comparava os inter-relacionamentos e funções dos membros da Igreja com partes do corpo humano. Usando esta comparação Paulo faz uma clara alusão a união verdadeira que deve existir na Igreja, isto está claro na afirmação: "O corpo é um e tem muitos membros...assim é Cristo também" (1Co.12:12). Ainda segundo a visão do apóstolo Paulo, os dons do Espírito Santo são dados para equipar este corpo (1Co.12:4-7). É por esta razão que os membros deste corpo devem ter o máximo de cuidado para não dividi-lo, antes tenham cuidado para preservar uns aos outros.
É importante observar que o apóstolo faz comparação com o corpo humano para expressar a unidade que deve existir na Igreja. Esta metáfora possui um duplo sentido, pois ao passo que os membros estão unidos em um só corpo, também possuem diferenças operacionais para o bom funcionamento do mesmo. Ou seja, a Igreja também está unida por diversos membros que são diferentes a fim de garantir o bom funcionamento da mesma. É somente quando entendemos esta realidade que conseguimos nos respeitar mutuamente e manter o Corpo de Cristo bem unido, porém com cada membro executando sua função específica. É por isso que há diversidade de dons.
Portanto, há uma "unidade na diversidade" dentro do corpo de Cristo. Esta unidade pode ser bem explicada na mutualidade, ou seja, cada crente cooperando com os demais membros e esforçando-se em prol da edificação de todos. Essa realidade traz três implicações:
- Implica em sofrer com os que estão sofrendo dores ou regozijar-se com os que estão sendo honrados (1Co.12:26);
- Implica em levar o fardo de um irmão ou irmã no Senhor (Gl.6:2);
- Implica em ajudar na restauração de quem caiu no pecado (Gl.6:1);
As Escrituras apresentam uma infinidade de práticas como exemplos dessa mutualidade. A lição principal é que nenhum membro individual do corpo de Cristo pode ter um relacionamento exclusivo e individualista com o Senhor. Cada "indivíduo" é, na realidade, um componente necessário à estrutura do corpo da Igreja. Disse um grande pensador: "Não há cristianismo puramente particular, porque estar na igreja é estar em Cristo".
Para encerrar é importante ressaltar que este corpo não se governa sozinho. Ele possui uma cabeça, esta cabeça é o próprio Senhor Jesus Cristo que como tal deve ser reconhecido como a fonte de todo o sustento da vida da Igreja. A medida que seus membros se curvarem à Sua liderança e funcionarem conforme Ele deseja, o corpo será alimentado e sustentado "crescendo em aumento de Deus" (Cl.2:19). Somente a unidade, diversidade e mutualidade bem estruturadas neste corpo, a Igreja, é que será capaz de fazer com que nós cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.
c) Templo do Espírito
Esta também é uma figura riquíssima em exemplos da natureza da Igreja de Cristo. Ao comparar a Igreja a uma construção, certamente as Escrituras estão fazendo alusão a dois elementos necessários e essenciais de uma construção: o alicerce e a pedra de esquina.
- O alicerce
Toda edificação precisa ter um alicerce sólido. Não são poucas as vezes que ouvimos falar de edificações que ruíram completamente por causa de um alicerce impróprio. Jesus contou uma parábola onde o alicerce despontava-se como elemento principal de uma construção. Nesta parábola dois homens resolvem construir uma casa, porém somente o que escolheu um alicerce sólido foi elogiado pelo Senhor (Mt.7:24). Como Templo do Espírito, a Igreja também possui um alicerce sólido (1Co.3:11), e somente aqueles que edificam sobre este alicerce, serão vitoriosos.
- A pedra de esquina
Na atualidade a pedra de esquina não passa de um memorial com os nomes daqueles que colaboraram para o progresso da obra. Sem dúvida alguma, esta utilidade atual não possui nenhum significado para o Templo do Espírito. Porém, na antiguidade esta pedra possuía um significado muito mais amplo. Normalmente ela era maior que as demais, orientava o desenvolvimento do projeto para o restante da edificação e dava simetria à obra inteira. Jesus é descrito como "a principal pedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para Templo no Senhor" (Ef.2:20,21; 1Pe.2:6,7).
É interessante ressaltar que embora a pedra de esquina fosse a principal, as demais pedras normais estavam intimamente ligadas a ela. O apóstolo Pedro retrata os crentes desempenhando aquele papel, e os descreve como "pedras vivas edificados como casa espiritual e sacerdócio santo" (1Pe.2:5). Ou seja, cada crente é uma destas pedras interligadas a pedra de esquina (Cristo) neste edifício de Deus (a Igreja).
Esta metáfora do templo do Espírito Santo confirma ainda mais que o Espírito santo habita na Igreja, quer seja no âmbito individual ou no coletivo. Esta realidade pode ser vista  nas duas perguntas de Paulo aos crentes de Corinto. Em 1Co.3:16,17 ele pergunta: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?". Neste texto Paulo emprega a palavra grega hieron que tratava o templo de um modo geral. Porém em 1Co.6:19 ele pergunta aos crentes individualmente: "Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus?". Aqui ele usa a palavra grega naos, que não era muito comum, pois referia-se apenas ao santuário interior, ao Santo dos Santos.
Portanto, fica claro nesta metáfora paulina que tanto a Igreja, como um todo, como os crentes individuaìs, são moradas do Espírito Santo de Deus.
Existem outras figuras que também retratam a natureza da Igreja, porém para o estudo em questão estas três fornecem-nos o material suficiente para compreendermos as características principais da Igreja de Cristo.


 IV – O QUE A IGREJA FAZ?

O que a Igreja faz? Quais são os seus propósitos na vida? Escrevendo aos Efésios Paulo ensina que Deus trouxe a Igreja a existência para redundar em glória para o Seu nome. Seu propósito abrangente é redimir-nos a fim de sermos “...para louvor da glória de sua graça” (Ef.1:6, 12, 14).
A Igreja glorifica a Deus em três aspectos diferentes:
- Para o alto, quando os crentes O adoram;
- Para dentro, quando os crentes se edificam uns aos outros;
- Para fora, quando os crentes compartilham do evangelho com os incrédulos.
1) A IGREJA ADORA A DEUS
A adoração é o ato mediante o qual reconhecemos o quanto Deus merece receber reverência e louvor. Na adoração coletiva os crentes dirigem louvor e honra a Deus. O foco central da verdadeira adoração não se encontra nas pessoas, mas em Deus. Adoramos a Deus por causa daquilo que Ele é (o Seu caráter) e também por causa daquilo que Ele faz.
Um exemplo de genuína e pura adoração está nas palavras do salmista: “Louvai ao Senhor porque Ele é bom, porque a sua benignidade é para sempre. Digam-no os remidos do Senhor, os que ele remiu da mão do inimigo e os congregou de entre as terras, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul” (Sl.107:1-3).
A adoração a Deus é algo primordial na Igreja de Jesus. Falando a respeito do assunto, Jesus afirmou que o Pai procura adoradores que “O adorem em espírito e em verdade” (Jô. 4:23). Isso significa que nossa adoração deve ser sincera, tendo por alicerce o relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Através dessa adoração sincera, o nosso espírito entra em comunhão com o Espírito de Deus. Segundo o escritor da carta aos Hebreus, a barreira que existia entre nós e Deus, a fim de impedir esta adoração, foi removida por Cristo através do Seu sacrifício (Hb. 4:16; 10:19-22). A nossa adoração a Deus não está baseada naquilo que fazemos para Deus, mas, sim, no conhecimento que temos dEle e na aceitação daquilo que Ele fez por nós.
A nossa adoração também não se assemelha à dos pagãos, os quais adoram deuses feitos de madeira ou de pedra. A adoração deles visa, supostamente, aplacar a ira de suas divindades, ou obter o favor delas. Porém quando o povo de Deus adora a Deus, é com um sentimento de profunda gratidão pela graça que o Senhor já tem concedido gratuitamente através de Sua Misericórdia (Sl.118:1). Portanto, diferentemente dos pagãos, a adoração dos crentes é uma expressão de gratidão por aquilo que Deus já tem dado (o perdão dos pecados e a salvação).
Uma observação importante a ser feita a esta altura é que embora cada crente possa, e deve, adorar a Deus individualmente, a adoração coletiva é indispensável. A freqüência que damos aos cultos serve para desenvolver uma sinfonia de louvor a Deus. Quando a Igreja se reúne para adorar a Deus, cada crente é capacitado a perceber a unidade do povo de Deus. Há uma dinâmica espiritual inexplicável na adoração coletiva da Igreja, pois quando nos reunimos cada crente é ajudado pelo Senhor e se fortalece como adorador. Um exemplo claro disso está no texto de Hebreus 10:24,25: “E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos a caridade e as boas obras. Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes admoestando-nos uns aos outros, e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”.
Na adoração coletiva, a Igreja, sob a direção do Espírito Santo e em consonância com a Palavra de Deus, busca glorificar a Deus por vários meios, com cânticos, orações e o ministério da Palavra. Mas é importante notar que simplesmente passar pelas formas externas de adoração não significa que tenhamos realmente adorado ao Senhor. Podemos desfrutar a beleza da música, a habilidade do pregador ou o prazer de estar com outras pessoas e, no entanto, deixar de adorar a Deus.  Lembremo-nos que o propósito primário de toda verdadeira adoração é glorificar a Deus. Ele deve ser o centro de nossa adoração.
2) A IGREJA EDIFICA-SE A SI MESMA
É impossível deixar de notar que Deus trata a Igreja como uma comunidade no que concerne a função destinada a ela. Essa função comunitária é melhor compreendida quando associamos a Igreja com o conceito do corpo. As Escrituras usam a ilustração do corpo, a fim de explicar as funções da Igreja, o corpo espiritual de Cristo (Rm. 12:4-8; 1Co. 12:4-31; Ef. 4:7-16). Cada membro e sua contribuição são importantes para o funcionamento saudável do corpo.
O corpo humano é um organismo muito complexo. Tem muitas partes, cada uma das quais com uma função diferente. O corpo de Cristo, de igual modo, conta com muitos membros. Cada membro tem um ou mais dons, que lhe capacitam contribuir para o bem estar do corpo inteiro, dons estes que são mencionados com clareza nas Escrituras (Rm. 12:4-8; 1Co. 12:8-10).
Ainda no conceito de pessoas dotadas por Deus para a edificação do corpo, temos aqueles que foram dados à Igreja em caráter administrativo tendo em vista “...o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério” (Ef.4:12).
3) A IGREJA EVANGELIZA O MUNDO
São duas as ordens de Jesus direcionadas ao ser humano: A primeira diz respeito à situação deplorável em que o mesmo encontra-se quando ainda não é salvo “Vinde” (Mt. 11:28); A segunda, e de igual importância, diz respeito à situação agradável em que o mesmo se encontra quando já foi regenerado e transformado pelo Espírito Santo “Ide” (Mt. 28:19). A medida em que cada comunidade de crentes é edificada na fé, deve concentrar as suas energias para fora de si mesma, para o mundo não-crente. Deus utiliza-se de pessoas para conquistar pessoas! O vocábulo evangelismo significa literalmente “declaração do evangelho”. A Igreja tem a responsabilidade e o privilégio de tornar conhecida a provisão de Deus para a salvação de todos os seres humanos.
Os crentes são pessoas, chamadas do mundo, no sentido de não serem mais controladas por valores mundanos e nem serem mais leais ao mundo. Não obstante, eles são desafiados a levar o evangelho ao mundo não-cristão. Jesus orou ao Pai assim: “Eles não são do mundo, como também eu não sou... Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jô. 17:16, 18). É importante notar que os crentes, segundo a oração de Jesus, foram enviados. Isto envolve a idéia de MISSÃO.
No Novo Testamento vemos o alvo do evangelismo (Mt. 13:38). Neste texto Jesus declara que “o campo é o mundo”. Ele desafiou os seus seguidores com as seguintes palavras: “Ide, ensinai todas as nações, batizando-as... ensinando-as a guardar todas as coisas que vos tenho mandado...” (Mt. 28:19, 20). Portanto, é obrigação da Igreja compartilhar o evangelho com todo o mundo.
Evangelizar não é uma questão de escolha ou preferência, para os crentes. Jesus explicou que quando os crentes recebessem o poder do Espírito Santo, eles seriam testemunhas dinâmicas “... tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At.1:8). Deus é glorificado quando pessoas são salvas e acrescentadas ao corpo místico de Cristo; pois é nesse processo que os crentes tornam-se verdadeiramente produtivos (Jo. 15:1-8).
É de ficar envergonhado quando tomamos conhecimentos de notícias que dão conta do crescimento populacional do nosso planeta, que hoje ultrapassa a casa dos cinco bilhões de habitantes, e que a Igreja tem feito bem pouco para reverter o drástico quadro de mais de três milhões de pessoas que ainda não receberam um testemunho adequado do Evangelho. Mais do que nunca, precisamos nos dispor ao Senhor da Seara, assim como fez o profeta Isaías (Is. 6:8), e dizer: “eis me aqui Senhor, envia-me a mim”.


  V – A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA

Uma das grandes questões existentes no seio da Igreja é se ela é um organismo ou uma organização. A Igreja é um organismo, algo que possui e gera vida ou é simplesmente uma organização, que se caracteriza pela estrutura e pela forma? Para uma resposta bem coerente, podemos afirmar que a igreja é, ao mesmo tempo, as duas coisas. Incorreríamos num erro muito grande se afirmássemos somente uma das duas alternativas; pois dizer que a Igreja é somente uma organização, é afirmar que somente a estrutura formalística basta para o povo de Deus na terra, não necessitando assim de princípios espirituais na Igreja. Por outro lado, afirmar que não se deve considerar a Igreja como uma organização, mas somente como um organismo espiritual é, antes de tudo, desarticular completamente a estrutura existente na mesma desde a sua fundação que , diga-se de passagem, foi constituída pelo Senhor.
Portanto, como organismo, a Igreja é orientada e governada pelo Espírito Santo, porém por outro lado, como organização, a Igreja é orientada e governada por aqueles a quem Deus constituiu (os homens). É impossível imaginar a Igreja indo levar a palavra do evangelho por todo o mundo sem possuir uma estrutura organizacional, ao mesmo tempo que é impossível imaginar esta mesma situação sem que a Igreja seja um organismo vivo capacitado pelo Espírito Santo de Deus.
FORMAS PRINCIPAIS DE GOVERNO ECLESIÁSTICO
Ao longo da história da Igreja tem-se sugerido vários modelos de administração eclesiástica. Alguns mais radicais acreditam que o governo da Igreja é uma questão de autoridade – onde reside a autoridade da Igreja e quem tem o direito de exerce-la. Embora se reconheça no meio dos crentes que Deus é a autoridade suprema da Igreja, com relação a administração eclesiástica existem três modelos diferentes:
1) O MODELO EPISCOPAL
Este modelo é normalmente considerado como o mais antigo. O próprio título é derivado da palavra grega episkopos, que significa “supervisor”. A tradução mais freqüente desse termo é “bispo” ou “superintendente”. Os que apóiam esta forma de administração eclesiástica acreditam que Cristo, como Cabeça da Igreja, tenha confiado o controle de sua Igreja na terra a uma ordem de oficiais chamados bispos, que seriam sucessores dos apóstolos. Acreditam ainda que Cristo constituiu os bispos para serem “uma ordem separada, independente e autoperpetuante” (significa que exercem o controle definitivo nas questões de governo eclesiástico e que selecionam seus próprios sucessores).
Na história da Igreja encontramos várias evidências de que este tipo de governo foi propagado por longos anos e por vários lugares e denominações. Provavelmente tudo teve início quando o bispo de Roma iniciou a sua investida contra as demais congregações do império para atrair para si a autoridade suprema da Igreja. Além da igreja católica, que exerce este sistema de governo eclesiástico, estão também na lista a Igreja Anglicana, a igreja Metodista unida e vários grupos pentecostais.

2) O MODELO PRESBITERIANO
O nome deriva justamente do cargo de presbíteros que foi dado a Igreja. Este sistema de governo tem um controle menos centralizado que o modelo episcopal: confia na liderança de representação. Cristo é reconhecido como o cabeça da Igreja e os seus escolhidos para ser seus representantes diante da igreja lideram nas atividades normais da vida cristã (adoração, doutrina, administração etc.).
Assim como na forma episcopal, o sistema presbiteriano varia de denominação para denominação. Todavia o modelo consiste em pelo menos quatro níveis:
1º) De baixo para cima, vem primeiro a igreja local, governada pelo concílio, que consiste em anciãos governantes e anciãos ensinantes.;
2º) Continuando na escala ascendente, é o presbitério, que consiste em anciãos governantes e ensinantes de determinado distrito geográfico;
3º) Após o presbitério vem o sínodo, que é uma assembléia local dos membros convocada, sempre que necessário, pelo bispo local;
4º) Por último, na posição suprema de autoridade vem a Assembléia Geral (ou Supremo Concílio).
Dentre as denominações que adotam este sistema de governo estão a presbiteriana, algumas igrejas reformadas e muitas igrejas pentecostais.
3) O MODELO CONGREGACIONAL
Conforme sugere o nome, este sistema de governo eclesiástico tem seu enfoque sobre o corpo local de crentes. Entre os três modelos administrativos da Igreja, este modelo (o congregacional) é o que mais controle coloca nas mãos dos leigos e mais se aproxima da pura democracia. A congregação local é considerada autônoma nas suas tomadas de decisões, sendo que nenhuma pessoa ou organização tem autoridade sobre ela, a não ser Cristo, o verdadeiro Cabeça da Igreja.
O fato de agir em total independência não significa que com isso as igrejas congregacionais ajam em total isolamento ou sejam indiferentes a crenças e costumes das igrejas irmãs. As igrejas congregacionais da mesma convicção teológica desfrutam normalmente de fortes laços de comunhão, e não raro esforçam-se para cooperar entre si nos programas de maior escala, como as missões ou a educação.
Entre as igrejas que operam segundo o modelo congregacional estão a maioria das associações batistas, a igreja Congregacional e outras.


CONCLUSÃO

Chegamos ao final de mais uma matéria. A Doutrina da Igreja. Conforme mencionado no princípio, esta é uma matéria extremamente desprezada pela massa evangélica, porém uma das mais importantes e essenciais para o crescimento da Igreja. Precisamos nos conscientizar que somente quando aprendermos a imitar os princípios bíblicos para a conduta da Igreja, é que alcançaremos a comunhão e as mesmas bênçãos da Igreja Primitiva. Esforcemo-nos pois, para que a nossa “igreja local” possa viver como a Igreja do princípio.